segunda-feira, 18 de junho de 2012

Da legalidade da cesariana, ou das cesarianas desnecessárias


Nossos obstetras, agarrados ao osso do nascimento cirúrgico, erguem como um trunfo o corpo da ativista australiana morta (aliás, no hospital).

E escondem em seus armários os corpos das mortes em decorrência de cesarianas desnecessárias, eletivas, agendadas, aquelas que a sociedade vê como "o médico fez tudo que era possível, fez a cesárea, tudo direitinho".

Marsden Wagner, quando Diretor de Saúde Materno-Infantil da Organização Mundial de Saúde, alertou para o número alarmante de mulheres que morriam anualmente no Brasil em decorrência dessas cesarianas: 500 mulheres!

Quando a Rede Parto do Princípio denunciou ao Ministério Público Federal, as taxas absurdas de cesarianas na rede suplementar, Marsden Wagner enviou uma mensagem pessoal:

"Gostaria de parabenizá-las pela realização deste importante trabalho pelo fim das cesarianas desnecessárias no Brasil. A mortalidade materna no Brasil é alta demais e é a maior entre as maiores taxas de cesárea do mundo. Bons trabalhos mostram que a taxa de mortalidade de mulheres que passam por cesarianas eletivas é aproximadamente 3 vezes maior que as que passam pelo parto normal. Centenas de mulheres morrem anualmente devido a cesarianas desnecessárias. O trabalho de voces é muito importante. Por favor, mantenham-me informado.

Sinceramente,
Professor Marsden Wagner M.D.
Diretor de Saúde da Criança e da Mulher
Organização Mundial Saúde"

Outra coisa.

Não existe um procedimento chamado "cesariana a pedido". Não no mundo da legalidade.

Se há obstetra despudorado o suficiente para lançar esta frase como indicação de cirurgia num prontuário, das duas uma: ou é petulância, ou ignorância.

Portanto, não digam - srs. obstetras, cremesp, sociedade - que fazem cesarianas porque as mulheres querem: os senhores NÃO PODEM fazer cesariana "a pedido". Se pudessem, se isto fosse um direito, o mesmo direito estaria disponível às mulheres que utilizam o SUS. Direito não envolve poder de compra.

É por isto que o agendamento sempre vem acompanhado de uma indicaçãozinha básica: "vamos marcar, porque logo se vê que você não tem passagem!" E então o prontuário pode ser preenchido com a devida vênia: "desproporção céfalo-pélvica".

Quase toda indicação nasce dos laudos de ultrassom: "hum... tá com pouco líquido, hein? vamos marcar." hum... placenta velha. Cordão enrolado. Bebê muito grande.

E mesmo as cesáreas descaradamente agendadas, a pedido mesmo, para 11/11/11, ou de modo que não seja de capricórnio, doutor, pelo amor de deus que já basta o meu marido - mesmo pra estas sempre rola um comentário: "viu como foi bom fazermos a cesárea? olha só, as circulares do cordão!" - afinal o doutor terá que em seguida lançar uma indicação no prontuário, e a barbárie ainda não chegou ao ponto de se poder assumir: "cesariana por motivo astrológico".

E por que não se institui logo a cesariana a pedido para todos? Afinal, as maternidades particulares são formatadas para as cesáreas em série, os consultórios estão organizados em função dos dias em que o doutor opera e os dias em que está no consultório, as faculdades de medicina ensinam que cesariana é a regra, então por que não regularizam logo a esbórnia?

Primeiro, que o país é grande e contrastante demais para dar conta da cesárea como "direito de escolha". Não há hospitais em todos os recantos recônditos desse mundão. Aliás, pelo mesmo motivo não se pode, por exemplo, proibir o parto domiciliar assistido por parteira. Simplesmente porque não há outra alternativa para grande parte das brasileiras - sorte das mulheres urbanas que desejam parir de forma desmedicalizada, como recomenda a Organização Mundial de Saúde para o baixo risco - ou seja, para a grande maioria das mulheres.

E nesse conflito encontramos ainda outro ponto nevrálgico: onde irão encontrar nossos chefes de tocoginecologia, material didático melhor do que mulheres parindo em seus hospitais-escola para o aprendizado de seus residentes? Períneos em abundância para o treino de corte e costura! Episiotomias e suas episiorrafias em 100% dos partos! Tão necessário quanto cortar nossos esfíncteres a cada excreção "só pra dar uma ajudinha, senão não sai!" E o uso de fórceps em todas as primíparas - também para fins didáticos - sem nenhum tipo de esclarecimento à mulher, que sai de lá carregando pro resto da vida o peso de seu filho "ter precisado ser puxado a fórceps"?

Portanto, tenhamos clareza: quando um médico vira objeto de preocupação interestadual de conselhos de medicina por dizer num programa de televisão que o parto é um evento FISIOLÓGICO - ou seja, saudável e feito pelo corpo da mulher, que não haja dúvida: a árvore da conveniência intervencionista é que está sendo balançada.

Se a preocupação fosse com a mulher e seu bebê, não teríamos as taxas que temos de "binômios" levados a risco cirúrgico desnecessário, não teríamos o assédio moral da violência obstétrica vivenciada por milhares de mulheres todos os dias, parindo ao som de "na hora de fazer foi bom, que que tá gritando agora?!?"; não teríamos mulheres parindo convertidas em material didático das escolas de medicina; não teríamos classes de profissionais de saúde se engalfinhando pela reserva de mercado da assistência ao parto. A lista continua.

A cesariana a pedido é uma ilusão, uma miragem na qual os obstetras querem mais é que todos acreditem. Não sou contra que este direito exista, apenas penso que as mulheres que o desejam, devam lutar por sua legalização. Porque hoje, toda cesariana sem indicação comprovada é passível de processo, pois contradiz a responsabilidade civil do médico, que entre outras premissas baseia-se no seguinte artigo de seu código de ética:

"Capítulo III - Responsabilidade profissional
É vedado ao médico:
(...)
Art 14 Praticar ou indicar atos médicos desnecessários (...)".

Por ROSELENE DE ARAÚJO.

sábado, 16 de junho de 2012

Carta de apoio ao Obstetra, Amigo e grande Cidadão Jorge Kuhn


"Escrevo para contar o que aconteceu em minhas gestações e para questionar a postura dos Conselhos Regionais de Medicina. Questiono com a autoridade de cidadã, de mulher e de mãe.
Sou mãe, publicitária, profissional de marketing, docente. Sempre busquei pautar minhas escolhas em evidências, estudos, ou ao menos, boas recomendações. Às vezes elas falham e isso já aconteceu comigo. Meu primeiro filho nasceu há 14 anos, na época eu tinha 26 anos, quando me vi grávida procurei uma obstetra do plano de saúde, ouvi algumas recomendações e fui. A falta de conhecimento prejudica sempre. Eu achava que estava sendo bem assistida e por ai foi a gestação. Incomodava as consultas mensais onde sempre era necessário um exame de toque, mas achava que isso foi assim mesmo. Já entrando no sexto mês e realizando um ultrassom por mês, outra coisa que parecia normal. Já no sétimo mês eu comecei a ter contrações e foi percebida que a bolsa estava rota, fui para a maternidade e a sentença estava dada: meu filho teria que nascer naquele dia. Fiquei horas na maternidade, a médica só se comunicava por telefone, nunca foi falado em tentar segurar a gestação. Fui submetida por todos aqueles horríveis procedimentos preparatórios para uma cesárea, além da medonha tricotomia, que coisa invasiva! A médica não conversou comigo, ninguém explicou o que estava acontecendo, mandaram minha mãe que estava me acompanhando embora e meu marido que estava viajando fora do país, também não participou de nada. Bem, cheguei à maternidade por volta das 7h30 da manhã, a médica apareceu por volta das 14h e lembro perfeitamente eu no centro cirúrgico com muitas contrações pedindo para que algo fosse feito e ela dizendo “aguenta o anestesista está no trânsito e não faz força!” (pausa para engolir a dor da lembrança...). Então, isso deveria ser denunciado ao Conselho Regional de Medicina de São Paulo, uma médica cesareanista do plano de saúde que não dá atenção à sua paciente, que manda esperar o SEU anestesista que está no trânsito... Feita a cesárea, dei um beijo rápido na cabeça do meu pequeno nascido ele foi levado para a UTI neonatal, todos foram embora, fiquei sozinha no Centro Cirúrgico, apareceu uma enfermeira para arrumar as coisas e eu lá, depois de tudo limpo alguém me empurrou para o quarto e lá fiquei até o dia seguinte, sem sair da cama, ai que dor e tristeza lembrar tudo isso, mas estou mexendo nesse baú, pra dizer que isso não é normal, que a mulher não pode ser submetida a esse tratamento na sua hora mais especial. A história seguiu com meu filho na UTI por mais dias que necessário, porque não tinha vaga na semi-intensiva, essa foi a resposta que recebi e por mais de 10 dias não amamentei, não peguei meu filho no colo, ainda não tinha me tornado mãe. Via meu pequeno com soro, sonda se debatendo numa incubadora e eu rezando do lado de fora do vidro, isso por 5 minutos, três vezes ao dia. Isso aconteceu no dia 05 de fevereiro de 1998 na maternidade São Paulo, hoje inexistente. Teria mais fatos para contar desse começo, mas já acho isso o suficiente para o Conselho se preocupar, mas quem sou eu, não é mesmo?
Passei muito tempo sem pensar em engravidar de novo.
Seis anos depois uma nova gravidez. Parece que o tempo ameniza as coisas. De novo procurei um obstetra do plano de saúde e o mesmo procedimento. Com 20 semanas fiz o exame de ultrassom morfológico , outro médico que deveria sofrer uma sansão do Conselho Regional de Medicina. Esse exame durou, entre minha chegada à clínica, atendimento e saída: 16 min! Contados pelo ticket do estacionamento. O médico disse que estava tudo bem e pronto. Eu saí insatisfeita. O obstetra acatou e assim continuou a gestação. Já no oitavo mês, eu achando que havia algo de errado, porque as mães sentem. De tanta insistência, saí da consulta com um novo pedido de ultrassom morfológico e para minha triste surpresa, meu bebê apresentava uma má formação no coração, entre outras coisas. O obstetra disse que nesse caso não poderia me acompanhar mais e me encaminhou para um centro especial do Hospital Universitário. Conselho... Cadê você?
Daí eu e meu marido lembramo-nos de um famoso obstetra aqui se São Paulo e lá fomos bater na porta dele, uma clínica completa, sempre lotada, horas e horas de espera numa sala lotada de gestantes. Chegou minha vez, o médico examinou, olhou o ultrassom e disse para mim e meu marido: “A gente tem que avaliar se ainda vale apena investir nessa gravidez”, eu olhei e disse: Doutor nós preparamos um berço para o nosso filho e não um caixão. Saímos de lá aos prantos, com uma barriga enorme e um filho com nome, enxoval e família esperando por ele.
Foi ai que uma verdadeira amiga, grávida, lúcida e muito crítica me falou de seu médico, de que havia buscado muito e encontrou um que se encaixou em suas exigência e expectativas, Dr. Jorge Kuhn. Confiantes, marcamos uma consulta. Numa doçura e delicadeza infinitas ele nos atendeu, deixou claro de que nada poderia ser feito naquele momento, mas que meu filho certamente precisaria de cuidados especiais após o parto e por isso era NECESSÁRIO de que o parto fosse numa maternidade. Ele nos acompanhou por 4 consultas no último mês. Eu estava relativamente mais tranquila e muito segura. Ele não fazia exame de toque, não tinha necessidade, mas um dia não escutou o coração dele. Fiz um ultrassom. Eu resisti em acreditar que o pior tinha acontecido, mas era fato, meu bebê havia morrido... Já quase em trabalho de parto fui para a casa conceber e assimilar o luto. Diante da morte não há o que fazer. Nesse dia o trabalho de parto engrenou. Ligamos para o Dr. Jorge que foi monitorando e pediu que a Ana Cris, doula na época fosse para a minha casa, ele também estava a caminho, tudo foi muito rápido e ele falou com meu marido para ver comigo se eu não preferia ficar em casa, naquela situação, o parto deveria ser normal, por segurança minha inclusive. Meu pequeno Gabriel nasceu em casa, um parto com todos os cuidados necessários, profundamente humanizado, foi acolhido, amado, nós fomos RESPEITADOS. Não foi programado que seria assim, mas eu não fui desamparada, deixada como antes... O Dr. Jorge esteve presente madrugada adentro na minha casa, ele e sua esposa, também obstetra, me consolaram, vestiram meu filho e o deixaram ao meu lada, como eu quis para que eu pudesse vela-lo e despedir-me. Ele não cobrou um real de mim, nada. E não acabou ai, cuidou de mim no pós parto. Foi por ele que eu não desisti em engravidar de novo. Foi por ele que eu conheci o que é se tornar mãe e foi naquele parto que eu me apoderei verdadeiramente do sentido de ser mãe. É esse médico que o Conselho quer? De que lado o Conselho está?
Sete meses depois engravidei novamente, daí meu pré-natal já tinha endereço certo: Jorge Kunh queria uma gravidez sem sustos e a surpresa. A alegre surpresa era uma gestação gemelar. Tudo correu bem. O Dr. Jorge foi bem claro de que o parto deveria ser numa maternidade e assim foi, duas filhas nascidas com toda a assistência necessária de uma equipe enorme com doulas, obstetras, neonatologitas, minhas filhas nasceram no tempo delas, cada uma num dia, com mais de 7 horas de diferença. Isso porque a primeira nasceu no quarto da maternidade e a segunda se acomodou de forma transversal, dai precisou de uma manobra externa. Lembrou-me bem que após o nascimento da primeira, ela foi para o meu peito, mamou, ficou ali comigo. As pessoas me perguntam: “mas você ficou com dor todo esse tempo?” E eu digo que não me lembro dessa dor, a alegria era tanta que faria tudo de novo, eu estava sendo monitorada a todo instante, a decisão da manobra foi na hora certa e eu também fiquei muito ciente que isso poderia virar uma cesária necessária, fui tranquila. O anestesista foi o disponível na maternidade, não fiquei esperando ninguém preso no trânsito.
Senti a emoção do parto da minha segunda filha presente no olhar e na alegria daquela equipe ali do meu lado. Nasceram muito bem, ficaram comigo, mamaram no primeiro instante, não sofreram intervenções. Fomos para a casa, felizes e com a família bem maior.
Há um ano nasceu meu quarto filho, esse foi acompanhado pela Ana Cris, obstetriz, aquela que segurou minha mão no parto do meu pequeno Gabriel, ela é fruto do Dr. Jorge e eu sabia que estaria segura. Assim foi, uma gestação tranquila, sem sustos, um parto natural, festivo, em casa, ao lado das minhas duas filhas e do meu filho mais velho. Meu quarto filho nasceu de pé, já chegou chutando pra longe todos os fantasmas do primeiro parto, provou para mim a mulher emponderada que sou, a mãe feliz e consciente. Minha família tem muitas razões de vida para lutar de defender a liberdade de escolha, o respeito ao parto e à mulher, o tratamento digno e humanizado. Por isso, nós vamos à luta, nós não tememos contar nossa história e assumir nossas escolhas.
Estamos presentes sempre!"

Por Patricia Russo

quinta-feira, 14 de junho de 2012


A pressão do Conselho de Medicina contra o parto natural

"O PARTO NÃO É UM ATO CIRÚRGICO, O PARTO É UM ATO NATURAL" - Jorge Kuhn

Texto de Otavio Cavalcante Kuhn, filho do nosso querido Jorge Kuhn.

"Texto pra quem acredita (de verdade) na liberdade, se juntem a nós. Dispenso a leitura de quem acha que leva uma vida boa e não faria nada pra mudar:
Quando eu era pequeno, sempre que me perguntavam o que eu queria ser eu dizia: Médico e Professor da Escola Paulista de Medicina. Se bobear algumas vezes ainda devo ter falado que queria ser obstetra. Por quê? Pra mim parece simples, nasci na casa certa para crescer com esse diálogo, cresci vendo o homem mais apaixonado pela própria profissão que já conheci. E, para amar tanto assim uma profissão, ele ama, acima de tudo, a humanidade e a natureza. Num mundo em que todos correm pelo dinheiro, ele me ensinou que tudo o que eu fizesse com amor eu seria bem-sucedido. Esse exemplo de homem, Jorge Kuhn, é meu pai, meu maior exemplo, meu herói, meu melhor amigo. Ele casou com minha mãe, Esmerinda Cavalcante, ou Mema, outro exemplo na minha vida, nunca vi alguém amar o "ninho" desse jeito, exemplo de como criar com amor. E haja coração nessa mãe, porque o que ela reza pela gente não está escrito.
Bom, não só amando a profissão, mas amando a família acima de tudo, ele me mostrou o verdadeiro significado de "família", algo que foi esquecido hoje em dia. Não tenho vergonha alguma de dizer na frente do mundo todo que amo meu pai, que sempre vou amá-lo, que agradeço do fundo do coração por ter nascido nessa família.
Qual foi o resultado dessa criação? Bom, tenho duas irmãs magníficas, Clara Kuhn e Renata Kuhn, com os maiores corações que já conheci, que amam o que fazem e junto comigo, ainda nadam contra essa corrente acéfala que arrasta a maioria hoje em dia (ou alguém conhece um trio composto por: uma Pediatra que ama atuar na saúde pública por poder ajudar as pessoas com menores condições financeiras, sem pensar um tiquinho no dinheiro; uma hoteleira/marketing que atravessou o mundo e foi morar no Paquistão por amor, sem contar a organização de um projeto social que já dura anos; e um estudante de engenharia que nunca pensou em exercer essa profissão pelo dinheiro?).
Um dos grupos de humanização de partos do qual meu pai faz parte organiza todos os anos uma viagem, na qual se encontram pais, mães, e filhos (MUITOS!). Uma vez um dos pais veio me dizer que acha um barato eu e minhas irmãs participarmos destes eventos (tendo em vista que somos os únicos com idade maior que 20 anos). Eu participo mesmo, e participarei todas as vezes que puder, pois estar com minha família, e ver de perto a admiração que estas mães têm pelo meu pai é algo sem preço. Admiração por quê? Pois ele preza a liberdade de escolha das mulheres, ele respeita o parto, sabe que é um momento único na vida de uma mulher, e não vai simplesmente "passar a faca" no dia mais importante de sua vida para chegar em casa à tempo de ver a novela.
Se você teve paciência de ler até aqui, agora vai a explicação do por quê deste texto. Dois dias atrás meu pai apareceu em uma matéria no Fantástico, sobre o parto domiciliar. Ele falou com propriedade as contra-indicações e disse que "o parto não é um ato cirúrgico, o parto é um ato natural" (eu vivo 24 anos na mesma casa que este homem e sei a propriedade com a qual ele fala, ele ama estudar, e tudo aquilo que faz tem embasamento em Medicina baseada em Evidências e mais de 35 anos de estudos). Resultado? O CREMERJ (Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro) veio então, por nota oficial, comunicar que entrará com uma denúncia contra meu pai, uma denúncia por ele defender o parto domiciliar.
Vamos lá então, se meu pai será crucificado por estar entre a minoria que apóia a liberdade da paciente, que o Brasil seja crucificado por ser a minoria do mundo que prefere a cesárea ao parto normal (sim, o Brasil possui o maior índice, e não é pela cesárea ser o certo). Se meu pai será denunciado por amar o que faz, que denunciem todos aqueles que vivem com amor, e que esse mundo seja transformado em um inferno de ódio. Se meu pai será denunciado por passar horas trabalhando, enquanto o Fulano já fez sua cesárea e está em casa assistindo ao Jornal Nacional, que denunciem o Mandela, o Ghandi, Jesus Cristo, e todos aqueles que trabalharam forte por um mundo melhor.
Estou morando fora do país desde Setembro passado, minha vontade era estar no Brasil para batalhar por aqueles que amo, e, acima de tudo, por aqueles que AMAM. Convido a todos que participem da Marcha do próximo Sábado (16) e domingo (17) (http://www.facebook.com/events/103917906416661/). Essa marcha é muito mais que uma marcha pelo parto, é uma marcha pelo que foi esquecido há muito, a liberdade de expressão e escolha.Hoje cheguei à certeza de tudo o que sempre pensei, vivemos sim numa ditadura. Façamos barulho então, parem a Avenida Paulista e todas as principais avenidas do Brasil, e quem ficar em casa pois acha isso "bobagem de arruaceiros", tenho pena de vocês. Convido a todos para um luta pelo que foi esquecido há muito tempo, a liberdade! E para mostrarmos que não somos robôs deste sistema, no qual o CRM é um pretexto para se ter status, e para esquecer o um dia feito "Juramento de Hipócrates" (ou eu li errado em algum lugar e o nome é Juramento de Hipócritas?).
Otávio Cavalcante Kuhn dos Santos, filho de Jorge Kuhn com orgulho!"

Fonte: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-pressao-do-conselho-de-medicina-contra-o-parto-natural

A Marcha do Parto em casa está na rede, em todo lugar!!!

quarta-feira, 13 de junho de 2012

NÃO PEDIMOS SEU CONSELHO!

https://www.facebook.com/MarchaDoPartoEmCasa


Nos dias 16 e 17 de junho, mulheres ocuparão as ruas de várias cidades brasileiras em defesa dos seus direitos sexuais e reprodutivos, entre eles a escolha pelo local de parto.

No último domingo, dia 10 de junho, o Fantástico veiculou matéria sobre o parto domiciliar, o que causou bastante repercussão. O médico-obstetra e professor da UNIFESP, Jorge Kuhn, foi entrevistado e defendeu o domicílio como um local seguro para o nascimento de bebês de mulheres saudáveis com gestações de baixo risco, segundo preconiza a própria Organização Mundial de Saúde.

No dia 11/06, dia seguinte à matéria, o CREMERJ publicou nota divulgando que fará denúncia ao CREMESP para punir o médico obstetra Jorge Kuhn por ter se posicionado favoravelmente ao parto domiciliar nas condições acima descritas.

O estudo mais recente publicado no British Journal of Obstetrics and Gynecology (2009) analisou a morbimortalidade perinatal em uma impressionante coorte de 529.688 partos domiciliares ou hospitalares planejados em gestantes de baixo-risco: Perinatal mortality and morbidity in a nationwide cohort of 529,688 low-risk planned home and hospital births. [http://www3.interscience.wiley.com/journal/122323202/abstract?CRETRY=1&SRETRY=0]. Nesse estudo, mais de 300.000 mulheres planejaram dar à luz em casa enquanto pouco mais de 160.000 tinham a intenção de dar à luz em hospital. Não houve diferenças significativas entre partos domiciliares e hospitalares planejados em relação ao risco de morte intraparto (0,69% VS. 1,37%), morte neonatal precoce (0,78% vs. 1,27% e admissão em unidade de cuidados intensivos (0,86% VS. 1,16%). O estudo concluiu que um parto domiciliar planejado não aumenta os riscos de mortalidade perinatal e morbidade perinatal grave entre mulheres de baixo risco, desde que o sistema de saúde facilite esta opção através da disponibilidade de parteiras treinadas e um bom sistema de referência e transporte.

Em repúdio à decisão arbitrária dos Conselhos de Medicina em punir profissionais que compreendem como sendo da mulher a decisão sobre o local do parto, foi idealizada a MARCHA DO PARTO EM CASA. Entre as reivindicações, além da defesa pelo direito à liberdade de escolha, pela humanização do parto e nascimento e pela melhoria das condições da assistência obstétrica e neonatal no país, também está a denúncia às altas taxas de cesarianas que posicionam o Brasil entre os primeiros do ranking mundial há muitos anos.

MARCHA DO PARTO EM CASA NO RIO DE JANEIRO

Local: Praia de Botafogo, altura do IBOL - Passeata até o CREMERJ (Rua Farani) - Rio de Janeiro - RJ
Data: 17 de Junho, domingo
Horário: 10h da manhã
Contatos: Ingrid Lotfi (21) 9418-7500


Núcleo Carioca de Doulas estará em peso na Marcha! Venha encontrar com a gente domingo!

terça-feira, 12 de junho de 2012

Repúdio à iniciativa do CREMERJ de denunciar Jorge Kuhn por apoiar o parto em casa

Não é possível que o CREMERJ consiga ter algo, uma coisa sequer, contra Jorge Kuhn. Conheço-o ao vivo, de eventos, encontros, palestras sobre assistência humanizada ao nascimento, onde estivemos ambos, de depoimentos (muitos) de mulheres que pariram com ele dando assistência, e não há nenhuma atitude ou palavra que possa denegrir sua imagem e sua atuação como médico obstetra...
Coloco-me cada vez mais terminantemente contra a maneira como a medicina em geral (veja bem, EM GERAL) é exercida nesse país, principalmente no que diz respeito à assistência ao parto.

Jorge Kuhn, estamos com você!!!

Uma  referência à iniciativa do CREMERJ de denunciar Jorge Kuhn por seu apoio ao parto domiciliar pode ser encontrada aqui: http://www.jb.com.br/rio/noticias/2012/06/11/cremerj-abrira-denuncia-contra-medico-que-defende-parto-domiciliar/.


"Neste momento em que mais uma vez o CREMERJ dá provas de sua atitude arrogante e persecutória, desprezando todas as evidências que corroboram a segurança e as vantagens do parto domiciliar e tentando denegrir publicamente o colega Jorge Kuhn, além de coibir a liberdade de expressão, conclamo todos os amigos e simpatizantes da Causa, entre os quais TODOS OS MÉDICOS, vários renomados especialistas e famosos internacionalmente que assinaram o nosso manifesto por um debate cientificamente embasado sobre o parto domiciliar, para divulgar o nosso PROTESTO contra essa denúncia absurda.

Melania Amorim 
CRM-PB 5454 
CREMEPE 9627"

Texto da Ana Cristina Duarte sobre o trabalho, e a importância do Jorge Kuhn no caminho da humanização do nascimento neste país, e na vida de tantas de nós:

"Foi em 2003 que eu, doula naquela época, e Debora Regina Magalhaes Diniz, grávida de seu primeiro filho, sentamos no pequeno consultório dele, pra lá de Santo Amaro. Ela estava decidida a ter um parto normal e ele foi o único médico na cidade que se dispôs a aceitar que ela tivesse de parto normal seu filho Pedro, que estava sentado. 

Jorge Kuhn ouviu a história de Debora, emocionou-se e aceitou o caso. Valores? Não eram importantes, tanto fazia. Ele não estava acostumado a encontrar mulheres querendo tomar posse de seus partos. Semanas depois Debora pode finalmente dar à luz Pedro, num intenso e emocionante parto normal. Foi nosso primeiro atendimento em conjunto.

De lá para cá eu já tive a honra e o prazer de acompanhar esse parteiro em tantos partos, que nem posso mais contar. Também não posso mais contar o número de vezes em que o vi sair furtivamente da sala após mais um nascimento emocionante, com os olhos cheios de lágrimas. Perdi a conta igualmente do número de mulheres que eu ouvi relatarem esses partos emocionadas e embargarem suas vozes ao se referir a ele, o parteiro que lhes deu a mão, a voz e o poder.

Eu já o vi em ação, já o vi tomar decisões importantes, já assisti a maestria de suas mãos em cirurgias emergenciais, assim como vi suas mãos cruzadas sobre o colo por horas e horas, aguardando o ritmo de cada mulher, de cada bebê. Já o vi salvar vidas. Eu assisti suas aulas, e vi paixão naqueles olhos germânicos. Vi os olhos apaixonados olharem para sua esposa Esmerinda e para seus filhos. Vi aqueles enormes braços segurando minúsculos bebês com a delicadeza de um pássaro. Perdi a conta de quantas vezes vi aquelas mãos gigantes receberem com gentileza desmesurada os bebês tão delicados, sem pressa, sem força, sem medo. Firme e sutilmente, recebendo cada criança como se fosse sua própria.

Eu estava lá e eu o vi sussurrar palavras de incentivo, abraçar pais, olhar mulheres nos olhos e dizer: eu sei que você consegue, você consegue minha querida!

Ele me ensinou quase tudo o que eu sei de obstetrícia e quase tudo o que eu sei sobre responsabilidade, ética e profissionalismo. Com ele aprendi a preencher prontuários, partogramas, cartões e receitas. Com ele aprendi a distinguir os 90% normais dos 10% anormais. 

Com ele me fortaleci como parteira, e com ele vi inúmeras mães se fortalecerem como mulheres poderosas e capazes.

Jorge Kuhn ficará sempre, não importa a ira dos Conselhos, como o maior exemplo de médico que já tive em minha vida. Por mais que o persigam, ninguém jamais tirará desse homem o seu verdadeiro título: Médico com M maiúsculo.

Ana Cristina Duarte - Junho/2012"

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Pesquisa revela violência contra mulher durante o parto...

Teste da Violência Obstétrica - Divulgação dos Resultados

Uma pesquisa divulgada no fim de maio avaliou o atendimento obstétrico recebido por quase duas mil gestantes no Brasil. As mulheres partilharam suas experiências e o resultado revelam os maus tratos mais comuns sofridos por elas. O estudo, intitulado “Teste da Violência Obstétrica”, acompanhou mães que tiveram filhos por cesariana, parto normal, em casa e emhospitais privados e públicos, e foi feito coletivamente por mais de 70 blogs.

O resultado mostra a conduta dos profissionais de saúde que atendem as gestantes no momento do parto. “Tivemos relatos de todo tipo de violência obstétrica, como negligência, abuso verbal, físico e sexual”, afirma a jornalista e mestranda de Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), Ana Carolina Franzon, uma das coordenadoras da pesquisa.

“Cheiro de churrasco”

A pesquisa mostra que 21% das parturientes ouviram comentários irônicos em tom depreciativo por parte da equipe médica que as assistiam. Uma das participantes relata que os profissionais fizeram comentários “sobre o cheiro de churrasco da minha barriga durante a cesariana”. Em outro relato, a mulher afirma que uma das profissionais da equipe médica reclamou por ter de auxiliar o parto no momento do jogo de futebol do seu time. Segundo Ana Carolina, a violência verbal foi apontada como a mais cometida pelos médicos.

“Não temos dúvida de que alguns profissionais desrespeitam as mulheres no momento do parto. Infelizmente isso acontece, mas não deveria. Na maioria das vezes falta um acolhimento da gestante, que passa por um momento importante e único da sua vida”, afirma Coríntio Mariani Neto, obstetra presidente da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP) e diretor da Maternidade Leonor Mendes de Barros.

Angústia

A pesquisa também revela que 38% das mulheres se sentiram angustiadas nas primeiras semanas após o parto. Metade delas acredita que os sentimentos que tiveram logo depois de ir para casa com o bebê foram influenciados pela maneira como o parto ocorreu.

A psicóloga Karla Rapaport Goldenberg atende a gestantes e mulheres no pós-parto e afirma que as que sofrem violência obstétrica se sentem vítimas e não protagonistas de um momento especial em sua vida. “Ela fica insegura para cuidar de uma criança, já que sente que não conseguiu cuidar de si mesma. A violência sofrida pode contribuir para que ela se sinta angustiada e triste. Além disso, pode surgir aversão a médicos, hospitais ou mesmo ao ato sexual, já que partes íntimas da mulher são manipuladas durante o parto com relativa frequência.”

“A parturiente não espera ser recebida em um ambiente cheio de amores, no qual todos a parabenizem e sorriem para ela. Mas ela espera ser tratada com respeito, como uma mulher em trabalho de parto que em alguns minutos será mãe”, ressalta a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo.

A primeira semana

Apesar das participantes da pesquisa terem estabelecido uma relação direta entre os sentimentos negativos na primeira semana com o bebê e o tratamento recebido na maternidade, outros fatores devem ser considerados como possíveis estopins para essa situação.

Aline Melo, psicóloga especialista em psicologia social, diz que muitas gestantes têm uma grande expectativa com relação ao momento do parto e não se preparam para o pós-parto. “Cerca de 80% das mulheres apresentam o que se chama de ‘tristeza materna’, causada pela alteração hormonal própria do pós-parto.

As primeiras semanas com um bebê em casa são propícias para mudanças de humor por conta não só da alteração hormonal, mas também porque as mães enfrentam noites em claro e passam por um período de adaptação com a amamentação, lembra Aline.

“Existe um fenômeno de depressão no pós-parto que é um processo fisiológico, mesmo que o parto tenha sido excelente. Mas não há dúvidas de que não ter uma boa assistência no parto tem consequências ruins para a mulher”, afirma Corintio Mariani Neto.

Outros dados revelados pela pesquisa “Teste da Violência Obstétrica”:

  • 82% das mulheres estavam respondendo a pesquisa com base no parto do primeiro filho.
  • 56% tiveram seus filhos em hospitais particulares através do convênio; 26% em hospitais públicos; 12% em hospitais particulares; 4% em casa; 3% em casas de parto.
  • 35% das mulheres entrevistadas tinham de 25 a 30 anos; 27% de 20 a 25 anos; 23% de 30 a 35 anos.
  • 53% das gestantes declararam ter sido compreendida, amparada e tratada com respeito.
  • 12% das entrevistadas disseram que os profissionais de saúde fizeram piadas sobre o comportamento delas.
  • 9% disseram que os médicos e enfermeiros mandaram a parturiente parar de gritar.
  • 43% das mulheres se sentiram seguras e à vontade durante todo o processo de internação para o parto.
  • 37% das gestantes sentiram medo pela sua própria saúde ou a do bebê.
  • 45% das parturientes foram informadas e consultadas sobre todos os procedimentos realizados.
  • 24% disseram não ter conhecimento prévio ou não ter consentido a necessidade da realização da episiotomia (corte na vagina no momento que o bebê está nascendo).
  • 23% declararam não ter conhecimento prévio ou não ter consentido com a administração de ocitocina (remédio usado para acelerar o trabalho de parto).

LEIA AS INFORMAÇÕES COMPLETAS DO ESTUDO AQUI:

http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2012/05/teste-da-violencia-obstetrica.html

quarta-feira, 23 de maio de 2012

As 50 Intervenções Desnecessárias durante a gravidez, parto e pós-parto

(Por Ingrid Lofti com supervisão técnica de Melania Amorim e Maíra Libertad)

1) Exames pré-natais não incluídos na rotina preconizada pelo Ministério da Saúde do Brasil (os exames recomendados são: grupo sanguíneo e fator Rh, sorologia para sífilis - VDRL, hemoglobina e hematócrito para rastreamento de anemia, exame de urina tipo I, sorologia para HIV e hepatite B - AgHBs, glicemia de jejum, teste para toxoplasmose-IgM, colpocitologia oncótica se necessário).

2) Exames de efetividade discutível sem prévia discussão com a gestante sobre riscos e benefícios (p.ex. pesquisa de EGB (Estreptococcus do Grupo B)).

3) Prescrição de complexo vitamínico, sem uma indicação clara.

4) Ultrassonografias sem indicação clínica.

5) Dopplerfluxometria em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.

6) Ecodopplercardiografia (exame para avaliar o coração) fetal em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.

7) Cardiotocografia em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.

8) Teste oral de tolerância à glicose (TOTG) em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.

9) Cesariana eletiva sem indicação clínica e/ou sob falsos pretextos (ver lista das "Indicações das desnecesáreas).

10) Exames de toque antes do trabalho de parto, sem indicação clara.

11) Descolamento de membranas antes de 41 semanas de gravidez.

12) Descolamento de membranas sem prévia discussão e autorização da gestante.

13) Restringir a escolha do local de parto.

14) Desencorajar ou proibir o acompanhante no parto da escolha da mulher.

15) Internação precoce.

16) Exames de toque abusivos durante o trabalho de parto e de rotina.

17) Exames de toque SEM o prévio consentimento da gestante.

18) Toque Retal.

19) Jejum, tricotomia (raspagem dos pêlos) e enema (lavagem intestinal).

20) Qualquer restrição à deambulação/liberdade de movimentos.

21) Estabelecer limites rígidos para a duração da fase latente, ativa e do período expulsivo.

22) Atrapalhar o processo fisiológico do parto, desconcentrando a gestante.

23) Monitoração fetal contínua ao invés de intermitente (onde o profissional ausculta o bebê de tempos em tempos com o sonar).

24) Uso rotineiro de soro com ocitocina/indução com misoprostol.

25) Uso rotineiro de analgesia de parto.

26) Oferecer ou insistir na analgesia de parto sem que a mulher a tenha solicitado.

27) Amniotomia de rotina (rompimento da bolsa).

28) Puxos precoces (treinar fazer "a" força, antes que a mulher possa sentir os puxos).

29) Puxos dirigidos ("faça força agora", "força comprida", etc).

30) Manobra de Valsalva (orientar a "trincar os dentes e fazer força").

31) Desestimular a escolha pela mulher da posição/ambiente em que quer parir.

32) Manobra de Kristeller (empurrar o fundo do útero)/pressão de qualquer intensidade no fundo uterino/"só uma ajudinha".

33) Manobra de "divulsão" perineal e/ou massagem perineal sem consentimento da mulher.

34) Episiotomia.

35) Não permitir o nascimento espontâneo.

36) Aplicar fórceps e vácuo de rotina e/ou sem autorização da mulher.

37) Sutura rotineira das lacerações.

38) Revisão instrumental do canal de parto de rotina (fórceps, vácuo extrator).

39) Cesariana intraparto sem indicação precisa e sem caráter de emergência.

40) Ligadura precoce do cordão, sem aguardar parar de pulsar.

41) Entregar um bebê vigoroso ao neonatologista para secar e aquecer, afastando-o da mãe.

42) Aspiração de rotina das vias aéreas do recém-nascido.

43) Passagem de sonda de rotina no recém-nascido, para pesquisar atresia de coanas, atresia de esôfago e ânus imperfurado.

44) Uso rotineiro de Credé (colírio de nitrato de prata).

45) Levar bebês saudáveis para o berçário.

46) Fazer qualquer procedimento com o RN sem consultar e obter autorização dos pais.

47) Não permitir o delivramento (saída da placenta) espontâneo.

48) Revisão manual da cavidade uterina de rotina, mesmo em casos de cesárea anterior.

49) Oferecer bicos, chupetas, mamadeiras, com leite artificial para o recém-nascido.

50) Aplicar vacinas sem o consentimento e autorização dos pais.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Parto humanizado reduz mortalidade materna

Especialistas garantem que quanto menor a intervenção, menores também os riscos para a mãe e para o bebê.

O risco de uma mulher morrer em consequência ou durante o par­­to de cesariana é quase quatro vezes maior que no caso de parto normal. Campeão mundial em cesáreas – a técnica representa cerca de 70% dos partos ocorridos no país –, o Brasil poderia reduzir os altos índices de mortalidade materna apenas adotando medidas que dispensam ou requerem o mínimo de intervenção cirúrgica para se dar à luz. Nessa nova postura preventiva, as vantagens do parto humanizado ganham cada vez mais espaço entre profissionais e gestantes.

Os dados são alarmantes. De acordo com a Organização Mun­­dial da Saúde (OMS), 600 mil mu­­lheres morrem por ano em todo o mundo em decorrência do parto – uma a cada minuto. Apesar dos esforços, no Paraná a média ainda preocupa. De janeiro a 21 de se­­tembro do ano passado, houve 101.543 nascimentos e 41 mulheres morreram, perfazendo um índice de 40,4 mortes por 100 mil nascimentos, o dobro do índice considerado aceitável. Até o ano passado, a proporção era de 54,6.

Segundo especialistas, esse panorama é resultado da cultura “hospitalocêntrica” copiada do modelo norte-americano. “Médi­cos e gestantes, influenciados pela ideia de maior produção em me­­nos tempo, se convenceram de que o mais prático é marcar a hora do parto, contrariando a própria na­­tureza da mulher”, aponta o obstetra e ginecologista Lucas Barbosa da Silva, coordenador do serviço de obstetrícia do Hospital Sofia Feldman, de Belo Horizonte (MG).

As altas taxas de cesarianas, avalia o médico, não condizem com a realidade econômica brasileira. Em países desenvolvidos, privilegiam-se os procedimentos normais, comprovadamente mais eficientes e menos perigosos tanto para a mãe quanto para o filho. “Mesmo em Cuba, economicamente ainda com muitas deficiências, a mortalidade materna não passa de 25 para cada 100 mil nascidos vivos, resultado direto da preferência pelos partos normais, usados em cerca de 70% dos nascimentos”, explica.

Defensor da humanização, o obstetra lembra que o Ministério da Saúde vem adotando uma série de medidas a fim de garantir melhores condições às gestantes e recém-nascidos. Uma das exigências para as novas maternidades ou para aquelas que passem por reformas é a de separar a área de parto da enfermaria normal e a adoção do conceito PPP (procedimentos de pré-parto, parto e pós-parto no mesmo local e cama, sem que a paciente precise ser deslocada para outro ambiente).

A preocupação com essa realidade faz parte dos compromissos do Paraná assumidos no Pacto Nacional de Redução da Morta­­lida­de Materna e nos Obje­­tivos de Desenvolvimento do Milênio. No entanto, as taxas de mortalidade ainda caem a passos lentos: 2% ao ano, um terço do necessário para que o estado chegue à marca de 39 mortes/100 mil nascimentos. Segundo análise do Observatório Regional de Indicadores de Sus­­tentabilidade (Orbis), esta é a única das 11 metas que não será atingida em 2010 e nem em 2015.



Epidemia silenciosa

Em 20 anos, desde a instalação do Comitê Estadual de Prevenção da Mortalidade Materna e Infantil, foram registrados e investigados 2.667 óbitos de gestantes em função do parto no estado. Dessas, 83% poderiam ser evitadas. As maiores vítimas são mulheres com idade entre 28 e 35 anos, com dois ou três filhos. Nesse tempo, 5.524 crianças ficaram sem mães. “Esta­mos diante de uma epidemia silenciosa que poderia ser evitada com medidas simples”, revela a presidente do comitê, Eliana Carzino.

Pré-natal de qualidade e a presença do acompanhante são algumas das alternativas que otimizariam a redução da mortalidade. “Várias portarias, decretos e leis estão sendo editados para que o sistema seja reorganizado e mais humanizado. As mulheres precisam conhecer e exigir os seus direitos”, orienta. A avaliação dos casos, garante, tem papel essencial na elaboração de ações efetivas para que situações semelhantes não se repitam. O programa “Nascer no Paraná”, lançado em maio, tem envolvido a comunidade nesse controle.

* * * * *


“O parto foi rápido e sem dor”

Grande parte das mulheres sem qualquer problema durante a gravidez e que poderia dar à luz pelo método natural opta pela cesariana por causa da dor do parto. Te­­merosas de que o trabalho de parto possa durar horas e a fim de evitar o sofrimento prolongado, submetem-se à intervenção cirúrgica por considerarem mais cômodo. Na contramão dos avanços tecnológicos, uma técnica simples vem ga­­nhando cada vez mais espaço en­­tre profissionais de saúde e gestantes: o parto na água.

A técnica proporciona maior bem-estar durante o trabalho de parto pelo efeito anestésico da água morna. Na banheira, as mães ficam mais relaxadas e as dores das contrações são amenizadas. Em al­­guns casos, o pai também pode en­­trar na água. “Muitas mulheres que optam pelo parto normal acabam tendo de fazer a cesariana por exaustão provocada pelas fortes dores. Com o parto na água, as do­­res são mínimas”, explica a ginecologista e obstetra Gláucia Menezes, do Hospital Costa Cavalcanti, em Foz do Iguaçu.

Adaptando-se às novas exigências do Ministério da Saúde, o hospital é um dos primeiros no estado a oferecer a técnica às gestantes. Em 21 de dezembro, a equipe do Cos­­ta Cavalcanti realizou os três primeiros partos na água, todos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Lucas Vinicius Rios da Silva, terceiro filho de Maria Candelária Rios Irazábal, foi quem inaugurou a banheira. “O parto foi rápido e sem dor. Não senti quase nada, bem diferente dos dois primeiros, também normais. Re­­comendo”, afirma a mãe.

Uma das primeiras maternidades brasileiras a adotar o modelo humanista no acompanhamento de gestantes e recém-nascidos, o Hospital Sofia Feldman, em Belo Horizonte (MG), há anos vem conseguindo manter o índice de cesarianas em 20%. Tudo graças a campanhas de esclarecimento sobre as vantagens do parto normal, o acompanhamento pré-natal e a multidisciplinaridade das equipes de saúde, com psicólogo, enfermeira obstetra e “doulas”, acompanhantes de parto que já tiveram vários filhos.

“A preparação psicológica é muito importante para que a mãe, quando possível, possa tomar a melhor decisão sobre o tipo de parto que deseja”, sugere o obstetra do Sofia Feldman Lucas Barbosa da Silva. Técnicas que auxiliem no trabalho de parto, reduzindo a dor ou possibilitando que o pai possa estar presente, também são bastante utilizadas na proposta de humanização do atendimento à futura mãe. Entre as mais procuradas está a do parto na água, com mais de mil nascimentos desde 2001.




Tipos de parto

Existem basicamente duas variedades de parto – normal e cesariana – e, dentro deles, outras modalidades, com suas vantagens e recomendações. A melhor escolha sempre dependerá das orientações do médico, baseadas nas informações colhidas durante o acompanhamento pré-natal e das condições da gestante e do bebê na hora do nascimento

Parto normal (vaginal)
Forma convencional de dar à luz. Anestesias como a peridural e a raquidiana aliviam as dores e não impedem que a mãe participe ativamente do processo. Evita hematomas, dores pélvicas e infecções, além de exigir menos tempo de recuperação. Em 24 horas a mãe pode deixar o hospital.

Parto natural
Nesse procedimento, a mulher é quem faz o bebê nascer, da forma mais natural possível. Bastante semelhante ao parto normal, mas sem a utilização de anestesia ou qualquer tipo de indução que estimule o nascimento. Tempo de recuperação mínimo.

Parto cesárea (cesariana)
Intervenção cirúrgica recomendada apenas para casos específicos como dificuldade do feto para nascer, posição invertida ou tamanho desproporcional do feto e hipertensão ou diabetes materna. Como em qualquer cirurgia, os riscos são maiores. São usadas as anestesias raquidiana ou peridural e, em alguns casos, a geral. É o parto com recuperação mais difícil, lenta e dolorida. A paciente só recebe alta depois de 48 horas.

Parto “sem dor”
Conjunto de técnicas que auxiliam a gestante a identificar o momento certo do parto e a relaxar e se concen­trar controlando a respiração. Utiliza anestesia raquidiana ou peridural para di­minuir a dor das contrações sem que ela seja totalmente inibida, e assim evitar que a mulher perca a sensibi­lidade e o controle sobre o parto.

Parto de cócoras (das índias)
Oferece a mesma vantagem de recuperação do parto normal. Difere-se pela posição da mãe na hora do nascimento. Mais rápido e confor­tável, a posição de cócoras aumenta a abertura da pelve, facilitando a pas­sa­­gem do bebê. Reduz também a incidência de depressão pós-parto e de dificuldades com a amamenta­ção. No Brasil, teve como importantes incentivadores os paranaenses Moy­sés Paciornik e seu filho Cláudio, que pesquisaram nas aldeias do estado o método utilizado pelas índias.

Parto a fórceps
Utilizado apenas em casos de emer­gência ou de sofrimento do bebê com o auxílio do fórceps. O instrumento funciona como uma pinça especial, com as extremidades em forma de colher para prender e puxar de forma adequada a cabeça do bebê na saída do útero, no parto normal.

Parto na água
Feito em uma banheira com água na temperatura do corpo (37°C). Como no parto de cócoras, permite a presença de um acompanhante. A água morna aumenta a irrigação sanguínea, diminui a pressão arterial e ajuda a relaxar toda a musculatura, aliviando as dores e agilizando o trabalho de parto. A água também facilita a dilatação do colo do útero. Apesar das vantagens, não é recomendado para os prematuros ou em casos de sofrimento fetal e sangramento excessivo.


quarta-feira, 2 de maio de 2012

Por que continuamos a nascer assim?

É assim que os bebes, com sorte, são tratados ao nascer na maioria das vezes em nosso país.



Notem que o bebê chora e muito desde a hora que nasce até ser colocado na incubadora.

Foi um parto vaginal, aparentemente sem complicações. A maiori
a dos procedimentos que fizeram são DESNECESSÁRIOS em situações onde não há complicações no parto. A mãe sequer pegou o bebê no colo.
A maioria dos procedimentos é invasiva, violenta, são feitos automaticamente pelos profissionais que assistem ao parto.

Há muitos anos sabemos que não precisa virar o recém-nascido de cabeça pra baixo (isso me revolta DEMAIS!), não precisa aspirar garganta e nariz de bebê que nasce de parto vaginal porque ao passar pelo canal de parto as secreções e líquido já saem pela boca e nariz do bebê... Nitrato de prata nos olhos também não é necessário na maioria das vezes... Manter o bebê na incubadora por horas após o parto sem complicações também não é necessário.

Enfim, uma lista gigante de procedimentos desnecessários, agressivos, invasivos e que pro bebê (tente se colocar dele!) são violentos... E o vínculo mamãe-bebê onde fica?


Com
parem com os vídeos de parto em casa, de partos assistidos por profissionais humanizados, compare as imagens a descrição de parto do vídeo abaixo.