terça-feira, 13 de maio de 2003

A dor da amamentação

A mais nova mãe da lista, Socorro Acioli, sente dor ao amamentar sua filha. As outras mães da lista dão dicas para ela sobre como aliviar a dor. Ingrid diz que quando o bebê abocanha com a boca mais aberta, dói menos. Além disso, a pele do seio fica mais resistente com o tempo, o que também diminui a dor.

Já a gaúcha Carla teve mais sorte por não sentir dores ao amamentar seu filho. "Durante o período em que estive em licença-maternidade, não senti dor para amamentar, a não ser nas poucas vezes em que fiquei com os mamilos um pouco machucados. Quando voltei a trabalhar, como eu fico horas sem amamentar, meus seios ficam cheios de leite e quando chego em casa e ofereço ao Gabriel Thomas, na hora em que ele pega, dói muito, mas logo passa", relatou Carla.

Os seios da Ana Cristina, de Santa Catarina, também racharam. "No quarto dia saía mais sangue que leite. Passei quinze dias urrando do dor até meu mamilo estar acostumado. Mas passa", diz Ana.

As dicas para aliviar a dor: polpa de mamão após a mamada (porém não pode manter por muito tempo e deve-se trocar a cada mamada) e banho de sol, ou exposição à luz infra-vermelha disponível em alguns bancos de sangue

Amamentação contra Bronquite

Estivemos conversando se a incidência de bronquite era mesmo maior em bebês não amamentados. A Socorro M. diz que o filho dela quase não fica doente e ela atribui isso ao fato dele ter sido bem amamentado.

Tem uma pesquisa no site www.aleitamento.org.br que fala que amamentar reduz os riscos da criança ter doenças respiratórias em até três vezes.

Existem outros estudos que apontam uma associação entre amamentar e a queda na incidência de algumas doenças... inclusive esclerose múltipla. Segundo ela, em caso de uma propensão alérgica muito forte, não tem leite materno que impeça a criança de ter bronquite, principalmente se ela toma leite de vaca também e se for alérgica ao leite.

Mas que dá um reforço muito bom à criança ah isso dá!

A bolsa estourou!

A Raquel deu uma contribuição sobre bolsa rota, quanto tempo deve se pode esperar para se ter o parto, se a bolsa estourou:

Depois de um ano ouvindo uma série de histórias com relação à bolsa rota o que eu aprendi foi:

  1. Bolsa rota sozinha não é indicação de cirurgia;
  2. A implicação possível de uma bolsa rota é que, após contato com germes e bactérias, comece uma infecção;
  3. Como evitar a infecção? Evitando exames de toques após o
    rompimento da bolsa;
  4. Qual é o tempo ideal de espera? Não há tempo ideal, se a mãe estiver bem e sem febre e o bebê legal também. No Brasil é costume falar em 4 horas, no exterior esperar 12 horas é muito normal. Mas ainda assim não é necessário operar após essas 12 horas se o estado clínico da mãe e do bebê estiverem ok;
  5. Não lembro se a falta de líquido amniotico pode trazer
    complicações ao bebê. Mas se algo estiver errado é possível captar através dos batimentos cardíacos;
  6. E se der febre (indício de infecção)? Isso, a princípio, também não impede o parto vaginal desde que esteja sob controle. O parto domiciliar (se for o caso) é suspenso, vão todos para o hospital e a gestante recebe antibióticos. Acredito até que neste caso uma cesárea seria até pior...

Agora ele me morde quando amamento!!

A Carla, tem um filho de 8 meses, que andou dando umas mordidas nela, ao amamentar. Com isso ela não está conseguindo amamentar pois ficou com os seios machucados. Ela também não tem conseguido ordenhar a mama que está cheia de leite.


A Socorro M. sugere expressar que não está gostando quando ele der aquela mordida. Se necessário, não dar o peito, e fazê-lo entender que se morder não vai mamar :-) A Silvia também resolveu isso mostrando que estava aborrecida e não deixando mamar se mordesse.

Socorro M. tb sugeriu dar o peito menos machucado primeiro, pois quando o leite desce, dá uma anestesiada no outro mais machucado.

Dicas para o início da amamentação

desenho9_91 01 - Muita calma, no início existe uma adaptação e o tempo de ambos, mãe e bebê, devem ser respeitados.


02 - Jamais dê complemento (leite em pó maternizado tipo NAN, Nestogeno, etc) a não ser em casos muito graves. O complemento não chega nem perto do leite materno, vai matar a fome do bebê e ele não vai querer mamar no peito o colostro, rico em anticorpos, importantíssimo para o bebê. É como uma vacina natural. O colostro é o que sai do seio antes da descida do leite, são algumas gotinhas amareladas que o bebê ingere.

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03 - O leite pode demorar de 4 a 7 dias para "descer". Até lá, não há problema o bebê só tomar o colostro. Ele nasce com muitas reservas de gordura e aguenta essa fase.


04 - Normalmente os bebês perdem até 10% do seu peso, após o nascimento, recuperando em até 14 dias em média.


05 - Não existe leite materno fraco.


06 - Procure amamentar num lugar calmo e curta esse momento com o seu filho.

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07 - Existem várias posições para amamentar. Sentada, coloque o bebê virado para você, com a barriga encostada na sua, de forma que ele não precise virar a cabeça para mamar. Tenha um apoio para colocar o braço e aparar a cabeça do bebê. Amamentar deitada também é uma boa pedida. Vc deita de lado e o bebê também de lado, um olhando para o outro, e coloca ele pra mamar. Enquanto isso, você pode descansar.


08 - Beba bastante água, quanto mais hidratada a mãe, mais leite produzirá. Crie um hábito de sempre tomar água, suco ou alguma bebida refrescante durante as mamadas.


09 - Procure descansar sempre que possível, para repor as energias. A amamentação queima muitas calorias.


10 - Após a mamada, se o bebê dormir, coloque-o no berço de lado, para evitar que regurgite e se engasgue.

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11 - A maioria das mães tem o bico do peito "plano", sem o bico muito avantajado. O bebê é que fará esse bico, ao longo do tempo, durante as mamadas. A mãe pode estimular o bico para que ele fique saliente antes da mamada.


12 - O fato do seio da mãe não encher de leite e nem vazar entre as mamadas NÃO quer dizer que a mãe produza pouco leite.

13 - O fato do bebê querer mamar toda hora também NÃO quer dizer que a mãe produza pouco leite. Observe se o bebê chora mesmo por fome. Geralmente o bebê que ficar no seio para dormir ou para se aconchegar e não é fome. Aos poucos você vai perceber o que significa cada choro.

14 - A maior quantidade de leite que o bebê mama é o que "desce" na hora da mamada e não o que está "armazenado" o seio. Nem todos os seios enchem ou vazam entre as mamadas. Se o seu seio não enche, não vaza, não espirra, não se preocupe. Isso não quer dizer nada. Se ao retirar o leite manualmente ou com a bombinha, você consegue retirar pouco leite, isso também não quer dizer nada. A bombinha só tira o leite que está armazenado na hora.

15 - Evite dar mamadeira ao seu filho. Se for necessário dar o seu próprio leite, dê no copinho descartável. A mamadeira tem um bico muito diferente do bico do seio e o bebê ainda não sabe diferenciar os bicos, ficando confuso e fazendo uma pega errada no seio, podendo machucar e até ocasionar um desmame precoce, pois o leite sai da mamadeira com muito mais facilidade, levando geralmente o bebê a preferir a mamadeira.

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16 - Bebê amamentando exclusivamente ao seio, não precisa tomar água e nem chá.

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17 - É recomendada a amamentação exclusiva no seio até os 6 meses de idade e até os 2 anos, complementando.

18 - Se o bebê ganha peso, e molha as fraldas de 4 a 6 vezes por dia, não há pq se preocupar. Ele está mamando suficientemente.

19 - Observe bastante a "pega" do bebê. O bebê deve estar com a boca bem aberta, abocanhando a maior parte do seio, quase toda a auréola. A língua do bebê fica em volta do seio em forma de cálice. O bebê não faz barulho durante as mamadas e nem encova as bochechas. Se o bebê não faz uma pega boa, ou mama só o biquinho do peito, sai pouco leite e não estimula a produção, além de provocar rachaduras nos seios.

20 - Quanto mais o bebê mama, mais leite a mãe produz. Quanto menos mamar, menos a mãe produzirá.

21 - Após as mamadas, sempre passe o próprio leite do seio e deixe secar naturalmente. Se possível exponha os seios ao sol. O leite é bactericida e cicatrizante e evitará as famosas rachaduras.

22 - Deixe o bebê mamar o tempo que ele quiser, na hora em que sentir fome. Não estipule regras e nem horários. Deixe que o bebê faça isso. Naturalmente ele entrará no ritmo dele. Adote a livre demanda. A livre demanda não significa que o bebê deve ficar o tempo todo no seio, e sim, que a mãe deve amamentá-lo quando sentir fome. Como no início é difícil de saber se o motivo é fome, as mães em geral oferecem o seio. Os bebês gostam de mamar e normalmente aceitam a hora que for, causando uma falsa impressão de fome. Às vezes seu filho só quer ficar junto de você.

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23 - Se o bebê dorme muito ou dorme mamando, estimule ele fazendo cosquinhas nos pés ou massageando as bochechas para que ele volte a mamar.

24 - Evite tomar refrigerante, chocolate e bebidas alcólicas amamentando. Essas substâncias passam para o leite podendo causar cólicas no bebê.

25 - O leite materno, além de ser o melhor alimento, ainda possui anticorpos que protegem o bebê. A composição do leite materno muda a medida que o bebê cresce. A mãe produz o leite próprio para o seu filho.

26 - Ao amamentar, mentalize o leite saindo do seu seio. Isso ajuda bastante!

27 - Confie em você e nos seus peitos ! Tenha auto-estima, determinação e coragem!! Todas as mães, com raras exceções, tem condições de amamentar. Não dê ouvidos aos palpiteiros. Você conhece o seu filho mais do que ninguém.

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segunda-feira, 12 de maio de 2003

Fertilidade

Dois programinhas para ajudar a quem quer ter, ou não, um bebê.

Tabelinha Eletrônica
Controle de Fertilidade

Entrevista com Ricardo - REHUNA (Sobre episiotomia)

"Chamado de episiotomia, o corte no períneo (entre o ânus e os grandes lábios) ocorre em 85% dos partos normais de hospitais brasileiros, embora a OMS considere tolerável que ele ocorra apenas quando é preciso agilizar o parto. Segundo o obstetra Ricardo Jones, da Rede de Humanização do Nascimento, a episiotomia está condenada desde os anos 80, quando evidências derrubaram os supostos benefícios atribuídos à prática, como a melhor cicatrização do períneo e a prevenção de disfunção sexual e danos à musculatura."

Revista da Folha (Folha de São Paulo), 11/05/2003
Tiragem: 233.000 exemplares

Sobre os partos do mundo inteiro, na Discovery

A Ana Paula deu sua opinião sobre os partos apresentados na Discovery, no último domingo.

A Marília também deu a sua opinião.

Segundo elas, os partos foram bem traumáticos e o com menos intervenções teria sido o da Rússia.

Vale a pena ler as opiniões para saber comos são os partos nos outros países.

sexta-feira, 9 de maio de 2003

Como o papel de mãe está passando para a mídia!?

Ao ler o texto sobre "A primeira vez de Franciely Freduzeski" - clique AQUI para ler, a Socorro M. escreveu esse texto questionando o papel de mãe que a mídia tem passado e que as mães modernas vem adotando. Opine e comente! É uma reflexão para o Dia das Mães!

JOGO DOS TRÊS ERROS PARA QUEM DESEJA AMAMENTAR


1. Meu leite não está sendo suficiente para ele e já entrei com a mamadeira para completar a alimentação.

2. A fizeram perder os 10kg que ganhou na gestação. "Estou feliz porque em um mês atingi meu peso normal, 58kg, e estou usando o guarda-roupa de antes.
Por que prejudica a amamentação: Até se estabelecer uma produção adequada de leite, é importante que a mulher evite um investimento muito grande na perda de peso. E claro que quem engorda pouco, tem um parto normal e amamenta, tem uma tendência Muito grande a voltar ao peso anterior sem fazer NADA mais. E estou falando apenas da idéia mágica alardeada de que "já voltou ao corpo de antes". É a questão dos VALORES. Não que uma mulher se desleixe e vire uma baranga. Mas os valores logo após se dar á luz são OUTROS a gente quer ficar bonita mas não deveria se sentir OBRIGADA e a mensagem passada é clara: Faça sua vida voltar ao que era antes e eu digo: NADA VOLTA AO QUE ERA ANTES. TER UM FILHO É UMA VIAGEM SEM VOLTA! MARAVILHOSA POR SINAL.

3. Voltarei ao trabalho até o fim do mês.
Por que prejudica a amamentação: Amamentação e trabalho são compatíveis, mas é importante que pelo menos nos dois, três primeiros meses, a mulher possa se dedicar mais a sua vidinha de mãe. Não é só pelo afastamento que voltar a trabalhar precocemente pode atrapalhar a amamentação.É pelo estresse, por ter que cumprir horários, pela responibilidade para outra coisa que não o filho.

Não que a mulher deva SE ISOLAR do mundo quando um bebê nasce, mas acho que é importante um período de férias das obrigações trabalhistas para estabelecer-se a amamentação.
Estou tecendo essas críticas gente, não pra meter o pau na Francely, mas para que podemos pensar em que modelo de mãe que a mídia divulga.

É uma coisa muito batida aqui na lista. Mas olha qual é o modelo (que eu vejo) que é pregado como IDEAL na sociedade, hoje em dia:


  1. Ter o primeiro filho o mais tarde possível para ter uma carreira antes, de preferência usar fertilização assistida.(Como a Sylvia Popovic)
  2. Fazer todos os exames disponíveis ultra 3D é indispensável para ter a "carinha" do bebê no álbum. Todos os exames para vigiar a gravidez, o desenvolvimento do feto.
  3. Ter parto cesáreo e se for normal (o que para mim em relação a ela já é louvável), totalmente sem dor (o que é raro) nem que para isso tome anestesia.(Vide Xuxa, Carla Perez, Cláuda Raia)
  4. Voltar ao corpo de ANTES, voltar a vida de ANTES o mais rápido possível! 30 dias no máximo.(nem precisa comentar)
  5. Amamentar com complementação não tem problema e "deixar" o bebê mamar até ele quiser (aí dando mamadeira ele deixa sozinho cêdo e não precisa passar pelo crescimento da dupla com o desmame).

Mas afinal, qual é o modelo de mãe que cada uma de nós quer/deseja construir? Isso fica para cada uma.
Talvez fosse um bom exercício para essas futuras o recentes mamães, escrever ou falar para si que modelo de mãe deseja para seu filho. É uma reflexão para o dia das mães.

Afinal o que caracteriza a humanização?

- Por Socorro M.

Gente,
Estou encantada com a discussão por conta do parto da irmã da Rose.
E vendo, deu pra perceber que vocês notaram que a humanização do parto não está em fazer ou não parto normal, fazer ou não intervenções, fazer ou não cesárea.

Ricardo, agora vou repetir uma coisa que você vive escrevendo: O cerne da questão do parto humanizado está no PROTAGONISMO DA MULHER, o resto é sofisticação da tutela!

É claro que algumas situações hospitalares melhoram ou pioram muito esse exercício de protagonismo: O atendimento massificado é terrível! Tratar cada uma como uma COISA, como um útero a ser esvaziado é brutal! Parabenizar uma mulher que teve um parto TRAUMÁTICO(para os padrões dela) é uma falta de sensibilidade...

E como é que alguém pode ser protagonista de uma peça que não conheçe o roteiro básico? Como é que uma mulher que mal sabe por onde a criança sai num parto normal( a mamãe não sabia direito quando eu nasci. Juro!) vai poder escolher o que é melhor para ela? Se nem ela mesma sabe?

Conheço uma que quando eu perguntava:E aí, tá conversando com a obstetra a respeito do parto? Ela respondia: Não, deixo isso para a médica, não quero me estressar. É lógico que esse parto foi cesáreo né?

Se a mulher não quer "se dar ao trabalho" de pesquisar, de ler, de conversar com outras mulheres para constuir esse modelo que se adeque ás SUAS necessidades, ningúem vai conseguir atendê-las. Mesmo o obstetra mais sábio vai agir em grande parte com base nas crenças DELE.

E o que eu percebo em uma GRANDE maioria das mulheres é uma preocupação excessiva com o enxoval, o quarto, o peso, varizes, amamentação(algumas
graças á Deus). Mas poucas se interessam em falar sobre parto (gente não tô falando da lista tá, tô falando das buxudas que me cercam viu?). E quando
você puxa o assunto, algumas respondem: Ih, ainda tá longe(essa estava com 7 meses).

Resumindo: NINGUÉM EMPODERA NINGUÉM! O obstetra pode até dar excelentes condições para a mulher conduzir o parto dela, estimulá-la a ler, pesquisar,
falar no assunto mas se ela não estiver interessada, se não for o momento dela... vai passar tudo BATIDO. Como a gente, quando tenta "convencer" uma mulher a ter parto normal.

Mas aí eu faço uma pergunta porque preciso refletir melhor... vocês acham que um obstetra pode tirar o empoderamento ou o protagonismo de uma mulher?
Eu penso que sim e não, que depende do nível de consciência que ela tenha de si, sua sexualidade, seu caminho. Será que apoio externo como esse que a
lista dá, faz mesmo diferença para uma mulher que está "a caminho"? O que vocês acham?

Opine aqui!