domingo, 25 de janeiro de 2015

NOVO!!! Guia de Prática Clínica Sobre Cuidados com o Parto Normal

Parafraseando Ricardo Herbert Jones: esboço das diretrizes nacionais sobre Parto Normal e Cesariana. Um marco na história da atenção ao parto no Brasil.
Parabéns aos envolvidos na sua confecção, em especial Melania Amorim e João Batista Marinho, além de Esther Villela do MS.

Gratuito!!! Para Médicas(os), Médicas(os) Obstetras, Enfermeiras(os), Enfermeiras(os) Obstetras e Obstetrizes.

Link para baixar o "Guia de Prática Clínica Sobre Cuidados com o Parto Normal":


sábado, 24 de janeiro de 2015

Vaginal birth after two caesarean sections (VBAC-2)-a systematic review with meta-analysis of success rate and adverse outcomes of VBAC-2 versus VBAC-1 and repeat (third) caesarean sections

Source: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19781046

In: BJOG. 2010 Jan;117(1):5-19. doi: 10.1111/j.1471-0528.2009.02351.x.
Author: Tahseen S, Griffiths M. - Leeds University Hospitals NHS Trust, Leeds, UK. stjavaid@yahoo.co.uk

Abstract

BACKGROUND:
Trial of vaginal birth after Caesarean (VBAC) is considered acceptable after one caesarean section (CS), however, women wishing to have trial after two CS are generally not allowed or counselled appropriately of efficacy and complications.

OBJECTIVE:
To perform a systematic review of literature on success rate of vaginal birth after two caesarean sections (VBAC-2) and associated adverse maternal and fetal outcomes; and compare with commonly accepted VBAC-1 and the alternative option of repeat third CS (RCS).

SEARCH STRATEGY:
We searched MEDLINE, EMBASE, CINAHL, Cochrane Library, Current Controlled Trials, HMIC Database, Grey Literature Databases (SIGLE, Biomed Central), using search terms Caesarean section, caesarian, C*rean, C*rian, and MeSH headings 'Vaginal birth after caesarean section', combined with second search string two, twice, second, multiple.

SELECTION CRITERIA:
No randomised studies were available, case series or cohort studies were assessed for quality (STROBE), 20/23 available studies included.

DATA COLLECTION AND ANALYSIS:
Two independent reviewers selected studies and abstracted and tabulated data and pooled estimates were obtained on success rate, uterine rupture and other adverse maternal and fetal outcomes. Meta-analyses were performed using RevMan-5 to compare VBAC-1 versus VBAC-2 and VBAC-2 versus RCS.

MAIN RESULTS:
VBAC-2 success rate was 71.1%, uterine rupture rate 1.36%, hysterectomy rate 0.55%, blood transfusion 2.01%, neonatal unit admission rate 7.78% and perinatal asphyxial injury/death 0.09%. VBAC-2 versus VBAC-1 success rates were 4064/5666 (71.1%) versus 38 814/50 685 (76.5%) (P < 0.001); associated uterine rupture rate 1.59% versus 0.72% (P < 0.001) and hysterectomy rates were 0.56% versus 0.19% (P = 0.001) respectively. Comparing VBAC-2 versus RCS, the hysterectomy rates were 0.40% versus 0.63% (P = 0.63), transfusion 1.68% versus 1.67% (P = 0.86) and febrile morbidity 6.03% versus 6.39%, respectively (P = 0.27). Maternal morbidity of VBAC-2 was comparable to RCS. Neonatal morbidity data were too limited to draw valid conclusions, however, no significant differences were indicated in VBAC-2, VBAC-1 and RCS groups in NNU admission rates and asphyxial injury/neonatal death rates (Mantel-Haenszel).

CONCLUSIONS:

Women requesting for a trial of vaginal delivery after two caesarean sections should be counselled appropriately considering available data of success rate 71.1%, uterine rupture rate 1.36% and of a comparative maternal morbidity with repeat CS option.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Para médicos, mulher tem o direto de escolhe a via de parto, veja...

Abaixo, link para o debate entre o diretor de defesa profissional da SOGESP (Associação de Obstetrícia de Ginecologia do Estado de São Paulo), Sr. César Eduardo Fernandes, e a professora do departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública da USP, Simone Diniz sobre pontos a considerar sobre as medidas anunciadas pelo Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Saúde Suplementar para diminuir o número de cesáreas no Brasil.
A mesa foi mediada pela jornalista Fabiana Futema, do blog Maternar.

http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/videocasts/2015/01/1578856-para-medicos-mulher-tem-o-direito-de-escolher-como-quer-o-parto-veja.shtml

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Metade das 826 operadoras de plano de saúde existentes no Brasil têm taxas de cirurgia cesariana para nascimentos acima de 90% em nosso país.

92 delas tiveram 100% de nascimentos via cesariana em 2013.


Agora me digam: vocês acham isso realmente normal? Acham que realmente não há algum ou vários interesses comerciais por trás disso? Acham realmente que isso é o melhor para as gestantes e bebês? Que isso não é uma epidemia e que não é um problema de saúde pública? E que o Ministério da Saúde e a ANS não tem que olhar melhor o que está havendo?

Leia a reportagem completa aqui:

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Tabu alimenta 'epidemia' de cesáreas no Brasil

Por: Mariana Della Barba, da BBC Brasil em São Paulo
Em: 21 janeiro 2015


"Uma vez cesárea, sempre cesárea." A frase, dita pelo pesquisador Edwin Cragin, em 1916, era para alertar seus colegas obstetras sobre o risco de se fazer uma cesárea e sobre como deveriam evitá-la, especialmente em mulheres grávidas pela primeira vez.

Hoje, 99 anos depois, ela continua, segundo especialistas, sendo tirada de contexto e usada para alimentar o tabu de que mulheres não poderiam ter um parto normal se já tiverem passado por uma cesárea.

Em um país como o Brasil, que tem o mais alto índice de cesarianas do planeta, essa concepção tem um impacto ainda maior, alimentando o que o Ministério da Saúde considera uma "epidemia" que já faz com que 84% dos partos na rede privada sejam cesáreas (na rede pública, é de 40%), enquanto o recomendado pela OMS é de 15%.

Embora tenha índices mais baixos que os brasileiros, os Estados Unidos também enfrentam desafios semelhantes para baixar do patamar de 32,8% de cesáreas, já que muitas das razões que fizeram esse índice subir por lá são as mesmas que temos aqui.


Um desses pontos em comum é justamente o tabu do parto normal após cesárea ou VBAC - sigla em inglês para Vaginal Birth after Cesarean Section (parto vaginal após uma cesárea), que também é usada no Brasil.


Proibido

O estudo "Listening to Mothers" (Ouvindo as Mães), feito com mais de 2.400 grávidas nos EUA pela organização Childbirth Connection, concluiu que muitas das cesáreas estavam ligadas ao acesso restrito ao VBAC.

"É claro que aumentar as expectativas (de que sempre é possível um VBAC) não é algo saudável para as mulheres", afirmou à BBC Brasil Carol Sakala, doutora em saúde pública e bem-estar materno da ChildBirth Connection. "Mas é completamente inaceitável que não se discuta a possibilidade de um VBAC com as mães. É inaceitável pressionar uma mulher a ter outra cesárea desnecessária diante da quantidade de evidências que temos hoje mostrando que VBACs podem ser seguros."

Carol ressalta que o estudo mostrou ainda que entre mulheres com cesáreas anteriores, quase a metade (48%) estava interessada em um parto normal, mas 46% tiveram essa opção negada. Em 24% dos casos, isso ocorreu por relutância do médico e, em 15%, os hospitais em que elas dariam à luz simplesmente não faziam VBACs.


'Fui chamada de louca'

Foi exatamente esses empecilhos que a enfermeira e professora da Universidade Federal de Brasília (UnB) Mônica Chiodi de Campos enfrentou ao ter seus três primeiros filhos - todos por cesárea - até conseguir ter seu quarto filho por parto normal, um VBA3C.

"Me colocaram todo o tipo de barreira possível. Foi muito difícil encontrar uma equipe para me auxiliar no parto. Fui chamada de louca por muita gente", conta.

"Na minha primeira gravidez, minha bolsa rompeu com 38 semanas e passei por uma cesárea de urgência. No meu segundo filho, meu ginecologista da época já me despejou a famosa 'uma vez cesárea, sempre cesárea', e assim foi. Na terceira gestação, achei que seria diferente, mas, ao ser atendida na maternidade por uma médica plantonista e por ter duas cesáreas, minha sentença já estava decretada."

A enfermeira conta que, quando engravidou pela quarta vez, encontrou um médico que, depois de muita insistência, topou lhe acompanhar. "Durante a gestação, pesquisamos muito sobre VBA3C, que ele nunca tinha feito. Há pouca literatura sobre isso no Brasil."

"Sofri muita pressão, mas me mantive firme. É claro que, se houvesse qualquer problema, faria uma cesárea. Mas meu parto foi ótimo e meu filho (que tem 3 meses) é super saudável. Ao saber da história, várias mulheres me procuraram, pedindo dicas de VBAC. Muitas nem sabiam que podiam fazer parto normal depois de uma cesárea."


Terrorismo

Para a obstetra e professora da UFSCar Carla Andreucci Polido, aos poucos as brasileiras estão indo atrás de informações sobre esse procedimento, mas ela acredita que ainda haja muito "terrorismo" sobre risco de rotura uterina após cesarianas.

Segundo Carla, estudos mostram que o sucesso de um VBAC após duas cesáreas pode ultrapassar 70% e que a segunda, terceira ou quarta cesarianas têm riscos de complicações semelhantes à prova de trabalho de parto após cesariana.

Já para o ginecologista Etelvino Trindade, presidente da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), o risco de rotura uterina é preciso estar bem claro para a mãe, já que se isso ocorre há chances de morrerem mãe e bebê.

Os dois médicos, no entanto, concordam que ampliar a discussão sobre o VBAC é um dos caminhos para se combater a alta incidência de cesáreas no Brasil.

"Entender que é uma possibilidade segura é uma constatação especialmente digna de nota em nosso país", afirmou Carla, em relação ao fato de Brasil ter a maior taxa de cesáreas do mundo. "Isso porque é cada vez mais provável que mulheres já cheguem aos obstetras com cicatrizes uterinas anteriores."


Tudo online

Mas como fazer para que o número de partos normais após cesáreas entre as brasileiras se eleve?

Se formos novamente comparar nosso cenário com o americano, vale considerar algumas medidas que elevaram a taxa de VBACs de 8,3% em 2007 para 10,2% em 2012.

As principais iniciativas vêm de organizações independentes, que divulgam informações sobre o procedimento, auxiliam grávidas interessadas no tema e publicam na internet taxas de VBACs de milhares de hospitais e médicos país afora.

Sites como o CalQualityCare comparam os índices em todas as cidades da Califórnia. O site VBACfinder também faz um levantamento na maioria dos Estados americanos. Outra fonte é o e-book Vaginal Birth Bans in America: The Insanity of Mandatory Surgery, que traz um mapa interativo com hospitais que não atendem mulheres com cesáreas prévias que querem tentar um parto normal.


É ou não cesarista?

No Brasil, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) deu recentemente um primeiro passo nessa direção.

Uma das resoluções para estimular o parto normal e reduzir as cesarianas na rede privada (que atende hoje 23,7 milhões de brasileiras) prevê que as mulheres possam solicitar aos planos de saúde os porcentuais de cirurgias cesáreas e de partos normais por estabelecimento de saúde e por médico. O dado deve estar disponível em 15 dias, sob pena de multa de R$ 25 mil.

A medida foi criticada por algumas classes médicas, que consideram essa uma invasão na autonomia do médico.


"Invasão é quando uma mulher é cortada sem necessidade", afirma Carol Sakala, da ChildBirth Connection. "E a autonomia deveria estar com a mulher. Sempre que são publicados os dados sobre os procedimentos usados no parto, isso sempre melhora a situação e o atendimento de mães e bebês"

Para Carol, seria ainda mais útil se as barreiras fossem eliminadas, e os dados estivessem à disposição para todos online, sem a necessidade de pedir para o plano de saúde e esperar.

Segundo a ANS, essa possibilidade está sendo estudada para o futuro.

No entanto Trindade, da Febrasgo, diz que sua preocupação é com o fato de o médico poder ficar "estigmatizado" ao ver sua taxa de cesáreas se tornar pública.

"A percepção das taxas pode ficar enviesada e ter distorções, no caso de um médico especialista em casos complicados, de alto risco (que podem ser indicação de cesárea). Ele pode ser chamado de cesarista, como costumam dizer. E isso é incômodo para alguns", afirma o ginecologista, em referência a como são chamados médicos com altíssimos níveis de cesarianas.

Karla Coelho, gerente de assistência à saúde da ANS, rebate essa opinião, dizendo não creditar que haja médicos com 80% de casos complicados. "Isso é uma reversão da lógica. Não se pode banalizar essa discussão."

Trindade atribui a alta incidência de cesáreas, em parte, ao temor dos médicos brasileiros de serem processados.

"Os médicos estão mais reticentes em querer assumir um risco maior", disse, acrescentando que um congresso em março vai discutir medidas para se reduzir as cesáreas e apontar propostas.


Questionado se essas propostas não deveriam estar sendo feitas há anos, ele afirmou que "muitos médicos estão em sua zona de conforto e, embora concordem que é preciso reduzir as cesáreas, não se preocupam muito com isso".

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

4 vídeos que prometem desmistificar o que você pensa sobre o parto normal


Das parteiras tradicionais e "comadres" ao obstetra altamente especializado, com o passar do tempo e a evolução da medicina, o parto foi saindo da esfera familiar, deixando de ser visto como um processo natural, e aos poucos passou a ser encarado como um ato médico, muitas vezes com intervenções traumáticas e desnecessárias. Durante esse processo, o parto normal passou a ser alvo de preconceito.

O parto natural, feito em casa ou em centros médicos assistidos por enfermeiras obstetras, é melhor para mães e, na maioria das vezes, mais seguro para os bebês. É o que diz um estudo britânico divulgadopela BBC e o que o governo brasileiro pretende incentivar a partir de agora noshospitais pelo país.

O problema é complexo e rende muitas discussões, mas o ponto é que qualquer passo nesse sentido pode ser considerado um avanço, já que enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que no máximo 15% dos partos sejam cesarianas, no Brasil, o índice é de 52%, chegando a 88% na rede privada.

A cesariana, quando não tem indicação médica necessária, pode ocasionar riscos desnecessários à saúde da mulher e do bebê: aumenta em 120 vezes a probabilidade de problemas respiratórios para o recém-nascido e triplica o risco de morte da mãe.


Inspirados por conseguir proporcionar um nascimento natural, saudável e extremamente participativo para seus filhos, alguns pais disponibilizam na web, vídeos que prometem desmistificar o que você pensa sobre parto natural. Selecionamos 4 deles:

1. Nascimento do Martim

2. Nascimento da Mariana

3. Nascimento da Isabella

4. Nascimento do Pedro

Link da reportagem original aqui.


segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Mecônio, sinal de perigo?

Por: Gisele Leal, em Vila Mamífera.

Muitas mulheres morrem de pânico ao ouvir a palavra mecônio. Mas  afinal, o que é realmente esse tão temido mecônio?

Assim que o tubo gastro-intestinal do feto está formado, o bebê começa a ingerir líquido amniótico. Ingerir líquido amniótico é um processo esperado e importante, primeiro porque o feto já vai colocando a prova, todas as funções digestivas e excretórias, e segundo porque mantem o tubo gastro-intestinal com a luz aberta .

Isso significa que, a partir de determinado momento na gestação, o bebê urina no liquido amniótico e o engole com urina, com células mortas, lanugo (pelos que cobrem o corpinho do feto), vernix (uma espécie de cera protetora da pele do bebê). Todos esses compostos presentes no líquido amniótico, formarão o mecônio dentro do intestino fetal que também será eliminado a partir da maturidade do feto.

Alguns exames, como a amnioscopia, permitem ao profissional que está assistindo a gestante, observar as características do líquido amniótico antes do rompimento da bolsa, e por vezes detecta a presença de mecônio. Entretanto, é muito comum que, (pasmem!), ao realizar a cesárea ou romper a bolsa, o líquido esteja clarinho sem nenhum sinal de mecônio! Por isso mesmo, a maioria dos profissionais que praticam a Medicina Baseada em Evidências abrem mão da amnioscopia. 

Portanto “fazer cocô na barriga” é perfeitamente fisiológico, normal e esperado para um feto a termo.

Então porque, há tanto temor e tantas indicações de cesáreas quando é detectada a presença de mecônio no liquido amniótico?

Existem classificações da presença desse mecônio, que vão desde “uma cruz” até “quatro cruzes”. Quando o mecônio é fluido, ou seja, existe mais liquido amniótico do que mecônio, os profissionais que assistem o parto, classificam-no com “uma cruz”. Quanto mais escuro e menos fluido está o mecônio, mais cruzes ele ganha.

Uma vez espesso (ou seja, quando a classificação do mecônio ganha “quatro cruzes” e esse mecônio se assemelha a uma papa de ervilha), caso o feto entre em sofrimento fetal durante o trabalho de parto, a chance de ocorrer a aspiração do mecônio é grande, e um mecônio espesso pode trazer consequências graves para o bebê, podendo leva-lo a óbito. Portanto, o mecônio em si, não é o vilão e sim a quantidade reduzida de líquido amniótico, insuficiente para diluir esse mecônio.

E porque há a diminuição do volume de líquido amniótico?

Existe uma diminuição fisiológica, normal e esperada da quantidade de líquido amniótico ao final da gestação. Quanto maior o bebê, menos espaço pra líquido amniótico haverá. Porém, algumas situações (raras) podem causar a diminuição do líquido amniótico, como por exemplo, o não funcionamento adequado da placenta, ou alguma anormalidade  com os rins do feto, que ao urinar em menor quantidade, passará então a produzir menor quantidade de líquido amniótico. E é aí que o obstetra, ou profissional que está assistindo essa gestante, tem que focar: Investigar o porque da diminuição anormal da quantidade de líquido amniótico.

Conheço um caso de um bebê que foi pra UTI após “engolir” mecônio

Nenhum bebê vai pra UTI por engolir mecônio. O máximo que vai acontecer é esse bebê vomitar esse mecônio após nascer. Bebês vão pra UTI porque aspiraram o mecônio. Enquanto está dentro do útero, o feto não respira pelas vias aéreas, pois recebe oxigênio pelo cordão umbilical através da circulação materna.  Porém, quando os níveis de oxigênio que chegam ao bebê não são suficientes, esse feto vai tentar respirar para oxigenar seu sangue. Sendo assim, o  foco da assistência deve ser em como está a oxigenação e a vitalidade desse bebê e não na presença de mecônio.

Fatores que podem reduzir o aporte de oxigênio ao bebê durante o trabalho de parto, e portanto provocar o reflexo de "gasping" (aspiração) são:

- Uso de ocitocina sintética de forma rotineira e sem acompanhamento criterioso da ausculta fetal: o uso de ocitocina pode levar o útero da mulher a contrair de forma anormal, prejudicando uma boa irrigação sanguínea do útero e resultando na má oxigenação do feto.

- Manter a parturiente em posição litotômica (deitada): Quando a mulher é mantida deitada, ou na posição ginecológica, todo o seu peso, o peso  do seu útero grávido com todo conteúdo (bebê, líquido, placenta) pressiona a artéria uterina que está localizada na região dorsal (costas), responsável por levar oxigênio ao útero e ao feto.

- Cesariana: a cesárea, como qualquer outra cirurgia, modifica todo padrão vital da mulher. A gestante é submetida a anestesia, fica deitada e ainda tem o fator “tensão” que acaba refletindo em uma respiração inadequada e portanto uma má oxigenação do útero e do feto. Além disso, ainda temos que considerar que o bebê ao ser manipulado bruscamente durante sua extração na cesárea, pode a aspirar o líquido amniótico. Soma-se a isso o fato do bebê não passar pelo canal de parto, e não sofrer a pressão em seu tórax que ajuda a expelir qualquer líquido ou mecônio de seu pulmão, e a cesárea se mal indicada, ao invés de ajudar, passa a ser mais um fator complicador para esse recém-nascido.

Então se o bebê está bem, não precisa fazer cesárea?

O mecônio isoladamente, não é indicação de cesárea, mas é um achado que deve ser considerado para analisar outras formas de avaliação do bem estar fetal e pode, em determinadas circunstâncias, requerer abreviação do nascimento. Por isso é importante ter uma equipe que pratique a Medicina Baseada em Evidências.


Se durante o trabalho de parto, o mecônio é fluido, o bebê apresenta boa vitalidade, boa movimentação fetal, batimentos cardíacos tranquilizadores, a mãe tem liberdade de se movimentar e se posicionar de forma a contribuir com a oxigenação fetal, é possível que se continue (com monitoramento) com o trabalho de parto. No parto normal, quando o bebê passa pelo canal de parto, recebe a pressão  positiva exercida sobre o tórax e isso ajuda, inclusive, a liberar algum resíduo de mecônio ou liquido amniótico que tenha sido aspirado.

Porém caso algum desses fatores saia de controle, a equipe poderá optar por antecipar o nascimento por via vaginal (com ajuda de fórceps de alívio ou vácuo extrator se o trabalho de parto estiver na fase do expulsivo) ou por via cirúrgica, caso o trabalho de parto ainda esteja na 1a fase (dilatação).


sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

O Renascimento do Parto no Canal Brasil, 3/1/2015

Oi pessoal!
Pra quem ainda não viu o filme O Renascimento do Parto, vai passar no Canal Brasil dia 3/1/2015, às 22:00hs.

Atualmente, o Brasil figura como o campeão mundial de cesarianas. Esse número atinge taxas próximas a 50% do total de partos atendidos no país, chegando ao índice de 90% em alguns hospitais da rede privada, contra o máximo de 15% recomendado pela Organização Mundial da Saúde. Preocupado com esses dados e reconhecendo a importância do tema para a sociedade, o longa, dirigido por Eduardo Chauvet, em parceria com Érica de Paula – responsável pela pesquisa, roteiro e produção – pretende promover uma profunda reflexão a respeito dos rumos que o nascimento humano está tomando no século 21 e propondo uma urgente mudança de paradigmas do modelo vigente.

Das parteiras tradicionais e comadres ao obstetra altamente especializado, o título observa como o parto, aos poucos, foi saindo da esfera familiar, deixando de ser visto como um processo natural e passando a ser encarado como um ato médico, muitas vezes com intervenções traumáticas e desnecessárias. Através dos relatos de diversas mães e alguns dos maiores especialistas no assunto, questiona-se o padrão atual e o futuro de uma civilização que vem ao mundo sem os chamados "hormônios do amor", liberados apenas em condições específicas. O registro conta com a participação especial do cientista francês Michel Odent, da antropóloga norte-americana Robbie Davis-Floyd, da parteira mexicana Naoli Vinaver, do ator Márcio Garcia e sua esposa, a nutricionista Andréa Santa Rosa, dentre outros. Merecem menção as inúmeras cenas de partos humanizados que ilustram a obra e ainda a delicada trilha sonora original, assinada por Charles Tôrres.

A produção foi recorde de financiamento coletivo no Brasil (o cada vez mais popular sistema de crowdfunding) e o documentário nacional com a segunda maior bilheteria no país em 2013, passando por 50 cidades brasileiras e permanecendo por surpreendentes 20 semanas em cartaz nos cinemas. Foi ainda seleção oficial de alguns festivais, dentre os quais o LABRFF – Festival de Cinema Brasileiro em Los Angeles (EUA) e o Festival de Cinema Latino-americano e Caribenho de Margarita (Venezuela), em 2013; e o Festival de Cinema de Bogotá (Colômbia), em 2014. O trabalho também figurou entre os cinco finalistas do 10º Prêmio Fiesp/Sesi-SP de Cinema nas categorias de melhor documentário, diretor, roteiro e montagem, dentre os 127 filmes nacionais de 2013. Em seguida vieram alguns convites especiais: da Secretaria Geral da Presidência da República, para exibição e debate no Palácio do Planalto; do Fórum Mundial de Direitos Humanos de 2013; e do Fórum Social Mundial de 2014. Segundo os produtores, O Renascimento do Parto 2 já está na incubadora.


Sábado, dia 03/01, às 22h e terça, dia 06/01, às 19h.

Detalhes em:
http://canalbrasil.globo.com/programas/cinejornal/materias/o-renascimento-do-parto-sera-exibido-dia-03-de-janeiro.html

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Um pouco da vida de casais que passaram por um Parto Humanizado


O programa apresenta as ações do Ministério da Saúde para incentivar o parto humanizado no Brasil.
O documentário "Um Dia de Vida" acompanha casais que passaram por esta experiência e traz reflexões sobre a importância dos cuidadores de saúde.
O documentário também conta como esses profissionais contribuem, por meio de uma postura humanizada, para uma vivência mais autêntica e profunda durante o momento do parto.