terça-feira, 17 de junho de 2003

Empoderamento

por Socorro Moreira

Empoderamento é um aportuguesamento do empowerment do inglês(espero ter escrito a palavra corretamente). Não tem uma tradução literal mas o sentido é de ter poder. De ter consigo, o poder de decidir, pensar, refletir e agir segundo seus próprios valores.

Empoderamento feminino no parto é quando uma mulher é agente e não paciente, quando ela decide dentre outras coisas, a posição de parir, quando seu bebê será afastado dela, se será cortada ou não. Mas não é só isso. Não são os atos, ou acontecimentos do parto que empoderam uma mulher(ou pelo menos não é só isso). É aquela sensação de vitória de conseguir, de força e de poder que algumas mulheres relatam após essa "façanha".

Construção do empoderamento da mulher na sua condição de mãe é quando a mulher cresce como mãe e como mulher,quando ELA toma as decisões relativas à sua cria e não a sogra, a mãe, a tia, a babá, a pediatra. Empoderar-se é acreditar em si mesma. Como parideira ,como mãe e como mulher.

sábado, 14 de junho de 2003

Obstetras

Esse é um texto que eu gosto muito e foi escrito pela obstetra Roxana e resolvi publicar.
***


"Médicos obstetras sabem muito. Sabem demais. Sabem operar, cortar, coagular, tirar os bebês mais difíceis, fazer partos muito complicados.
A maioria deles, são também ginecologistas e sabem tirar úteros, corrigir "bexigas caídas", e até tirar seios e curar diversos tipos de câncer.
Isso é muito bom. É ótimo.
Mas você é treinado a acreditar (não por maldade, obviamente, mas por crença mesmo, por dogma) que o parto é um procedimento médico. Que se alguma coisa pode dar errado, dará. Você deixa de ver o parto como o processo fisiológico que na realidade é e começa a enxergar patologias.
Olha, eu não estou falando do médico sacana, que programa cesáreas para poder ganhar a grana do parto e também curtir o final de semana na praia. Estou falando nos que acreditam no parto normal.
Acreditam no parto vaginal, mas não conseguem acreditar na mulher parindo sozinha. Sem ocitocina, sem cardiotocografia, sem citotec, sem episiotomia, sem uma mesa de cirurgia montada a seu lado.
Nós não fomos treinados para ver isso, fomos treinados para ver a patologia. A mente da gente é muito louca, e as crenças, as religiões são assim mesmo. Eu penso, por exemplo que passar das 41 semanas é perigoso. Aí vejo um bebê de 41 semanas e 3 dias que morreu ou ficou doente e penso - tá vendo como é perigoso mesmo!!! Isso fica gravado em minha mente a ferro e fogo. Aí eu conto para meus alunos - gente, passar das 41 semanas é um perigo, já ví vários bebês com problemas por isso.
Mas é um evento isolado, o bebê que eu vi pode ter morrido por outro motivo, mas como meu sistema de crenças reforça essa idéia eu o passo a frente.
Aí vejo umas 15 mulheres jovens e saudáveis que perderam o útero por terem feito cesáreas. MAs, ne minha religião, a cesárea é uma cirurgia salvadora. Eu não me permito enxergar o mal, onde fui treinada para ver o bem. Eu simplesmente não enxergo isso.
É assim que os obstetras são formados.
Eu sei, porque estive lá (parece relato de drogado em clínica de recuperação).
E digo mais, enquanto os partos forem realizados pelos GOs, treinados na mesma faculdade, nada vai mudar. Você gasta uma grana treinando o cara para fazer as mais complicadas cirurgias ginecológicas e depois quer que ele respeite a fisiologia do nascimento... Simplesmente , em sua maioria não é o mesmo perfil de profissional. De personalidade. Não dá certo. O cara quer ver sangue, quer cortar, quer tirar...
E quem não é assim sofre um bocado."

sexta-feira, 13 de junho de 2003

Como saber se o seu médico pretende enrolá-la e fazer uma cesárea desnecessária? Veja se ele se encaixa nesse perfil:

1) Nove entre dez amigas suas que fizeram o pré-natal com ele tiveram parto cesárea. A décima teve o bebê na porta do pronto-socorro.
2) Essas suas nove amigas tiveram cesáreas por motivos como: não teve dilatação, o cordão enrolou no pescoço, não tinha passagem (mesmo que ela não fosse viajar para lugar nenhum), estava passando da hora de nascer. Coincidentemente, foram todas em uma terça-feira.
3) Ele nunca desmarcou o consultório por estar fazendo um parto.
4) Quando você pergunta sobre maternidades, ele lhe lista aquelas nas quais ele opera.
5) Se você já teve outros filhos, ele nunca se preocupou em perguntar sobre seus outros partos. Se foram cesárea, ele nunca se lembrou de perguntar o porquê.
6) Ele nunca parou para examinar sua bacia.
7) Mesmo no fim da gravidez, ele não se preocupa em palpar sua barriga para avaliar o tamanho e a posição do bebê.
8) Ele comenta que não é do tipo que deixa as pacientes sofrerem.
9) Ele comenta que não gosta de arriscar (o que???).
10) Se você disser que a vida de médico é muito corrida, ele diz que consegue ajeitar bem os compromissos.
11) Ele começa a fazer exames de toque com 30 semanas e comenta, com ar tristonho, que você não está tendo dilatação.
12) Ele nunca lhe explica nada sobre: mecanismo do parto, vantagens do trabalho de parto e do parto normal, como se preparar, como reconhecer o trabalho de parto, etc, mesmo que você pergunte. Afinal, você não terá chance de usar essas informações mesmo.
13) Ele descobre a data do aniversário de toda a sua família: você, seu marido, seus pais, seus sogros, etc. Depois passa a comentar como seria legal se o bebê nascesse no dia xx/xx para homenagear o Tio Fulano.
14) Se você perguntar se o seu parto vai ser normal, ele lhe dirá que isso vai depender da conjunção de muitos fatores (o que obviamente nunca ocorrerá). Se você perguntar se seu parto vai ser cesárea, ele marcará a data.

quinta-feira, 12 de junho de 2003

Shantala


imagem_materia
A massagem oriental para bebês que foi trazida para o ocidente por Leboyer e introduzida no Brasil pela professora Fadynha, em 1978.

Clique aqui para aprender a fazer

Entrevista com Marília Largura no Mais Você!!!

Ontem a parteira Marília Largura participou do programa Mais Você, com a Ana Maria Braga, na Rede Globo:
Veja o bate-papo de Ana Maria Braga com dona Marília Largura, parteira há mais de 50 anos em:
http://maisvoce.globo.com/variedades.jsp?id=8069
Marília Largura possui o site www.partohumanizado.com.br
Marília Largura participou do parto da Débora, que teve o Pedro Gabriel de parto pélvico, ou seja, o neném nasceu sentado, de bundinha :-)
Veja o relato:
O nascimento de Pedro Gabriel.
Dia 30/03/2003 à 0:45h - pesando 2.950g
Parto natural pélvico vaginal

Dia 1
Debora teve contrações não dolorosas durante todo o dia, a cada 10 minutos
17h - Debora vai tirar a pressão, pois na véspera o aparelho do médico não estava funcionando e ele pediu para ela fazer uma medida.
Resultado: 15 x 10. Suspeita de pré-eclâmpsia
18h - Cheguei com a Marilia, discutimos a questão, resolvemos a conselho do médico, fazer um teste de proteinúria no Hospital mais próximo.
22h - Saída para o hospital
meia noite - Exame vai demorar, fomos comer comida japonesa esperando o resultado 1h da madrugada - Exame deu positivo, há proteinúria, o quadro indica pré-eclâmpsia, Dr. Jorge recomenda internação para sulfatação (medicamento que ajuda a impedir convulsão).
2h da madrugada - Chegamos ao hospital da internação, não podemos dizer que o bebê está pélvico, nem que Debora está em trabalho de parto, para não provocar uma cascata de intervenções. Medimos a pressão na chegada: 13 x 10. Debora lembra que a pressão no pré-natal foi mais pra 12 x 9 do que para 11 x 7. Ligo para o médico, decidimos repetir o exame de proteinúria antes de fazer a sulfatação, que leva 24 horas e ela teria que ficar sozinha no centro obstétrico, sem acompanhante, em trabalho de parto.
4h da madrugada, exame ainda não está pronto, ligamos para Dr. Jorge, falamos sobre a pressão média do pré-natal, ele decide liberar Debora para voltar para casa.
Fomos cada qual para a sua casa descansar um pouco e aguardar o início da fase ativa.
Dia 2
10h - Debora sai para medir a pressão, que está 11 x 7. Não era hipertensão, embora houvesse proteinúria. Ela passa o dia com
contrações a cada 10 minutos, mas sem dor. Cada qual está na sua casa
18h - Nova medida de pressão: 16 x 12. Ela se assusta, liga pra mim, peço para ela ir tomar um banho demorado. Ligo pro Dr. Jorge, ele entende que a pressão dela é mesmo muito variável e sujeita às oscilações provocadas pela tensão. A oscilação não é característica da hipertençsão. Marilia explica que é comum a mulher ficar mais apreensiva e com um pouco de medo conforme chega o final do dia e começa a escurecer. Dr. Jorge receita um tranqüilizante fitoterápico para ela, que então dorme profundamente das 23h às 8h do dia 03.
Dia 3
9h - Marcos me liga pois Débora já tem contrações com alguma dor, a cada 5 minutos. Pego Marilia em casa e vamos para lá. Marilia faz um exame de toque: 1 cm. Contrações de 30 segundos a cada 5 ou 6 minutos. Dani, uma das irmãs, já está no local. Chega Estrela, a irmã caçula. E assim passamos a manhã, nós 6, conversando, contando piada, decidindo o que fazer. Estrela e Dani fazem uma deliciosa macarronada com molho de frango.
14:30h - Suspeita que bolsa rompeu, tampão começa a ser eliminado, novo exame de toque, bebê elimina mecônio na mão da Marilia. Primeira grande c*gada do Pedro Gabriel... Dilatação está 3 para 4 cm, contrações já duram 45 a 50 segundos. Hora de ir embora.
15:30h - Chegada no Hospital, Dr. Jorge chegou na frente e já conversou com as enfermeiras, que permitiram o trabalho de parto no apartamento comum, pois não há suíte de parto. Internamos e fomos para lá. É feito um monitoramento fetal de 20 minutos, dilatação está para 6 cm. Vamos para o banho.
até 19:30h alternamos o acompanhamento da Débora entre todos nós, com direito a banho, descanso, mais banho, massagem, carinho, frases curtas para animar. Dilatação já está em 8 cm, Débora está brava, começa a perder a paciência, mas está firme. Pede algum remédio, "porrada na cabeça", qualquer coisa. Toma uma dose de Plasil, que não faz efeito algum, aparentemente. Mas ela está firme, apesar do cansaço.
20h - Vamos para o centro cirúrgico, pois o parto pélvico, mesmo vaginal, tem alguns riscos e não há tempo de transferir na hora do
problema. No centro cirúrgico chega a Dra. Andrea, assistente do Dr. Jorge. Ficamos então das 20h à meia noite todos juntos no C.O., alvos da curiosidade local. De cócoras, de pé, andando, Marcos foi um companheiro super forte, ajudando-a nas contrações, dando conforto, dizendo coisas muito legais pra ela. De vez em quando um de nós saía para tomar água ou comer uma bolachinha na salinha de "conforto". Às 21h Dr. Jorge autoriza 1/3 de dose de Dolantina, que acaba virando 1/10, por erro da enfermeira. Mas foi o sufiente para ela dar uma relaxada básica. Só que o efeito da droga passou e ela continuou muito relaxada. Estava super concentrada nas contrações e perto das 23h começou a ter vontade de fazer força.
Meia-noite - Debora vai para a mesa de parto e fica na posição de Simms (de lado) para empurrar o bebê. Começa a aparecer um pontinho branco (o bumbum) cada vez que ela fazia força. Chega a pediatra, fica por perto. Chega o anestesista e fica por perto. Chegam os plantonistas, que nunca viram um parto pélvico lá e ficam por perto (atrás da porta, escondidinhos).
0:15h - Debora fica em posição de parto, com as pernas na perneira.
Manobra para parto pélvico: o bumbum começa a aparecer e o médico empurra o bebê com uma compressa, para ele ficar todo socadinho, como um ovo, aumentando o diâmetro do bumbum que vai sair. Isso ajuda a dilatar o canal, de modo que ombro e cabeça não fiquem presos. A parteira guia a cabeça do bebê por cima, com a mão, para que o pescoço não se dobre. O médico pára de comprimir, e lá vem o bumbunzinho, lindo, fazendo muito cocô. As pernas estão junto ao tórax, vem tudo junto saindo. Sai um braço, sai outro braço. Outra manobra e o médico dobra o corpinho do bebê para cima. A cabeça ainda está lá dentro, são poucos segundos que parecem muitas horas.
Um silêncio histérico. Nem um pio. Apenas os gemidos vindos do fundo da garganta de Débora enquanto ela faz força. A voz de comando do médico para a assistente. "Solta aqui, dobra pra cá." O médico diz alto: "Força agora, mãe!" Débora faz uma última força gigantesca, o médico faz uma pequena episiotomia mediana, põe o dedo lá dentro, puxa o queixinho do bebê e a cabeça sai num "Blupt".
Nasceu, nasceu, meu Deus.. nasceu Pedro Gabriel, branquinho como a mãe...
O médico segura Pedrinho abaixo da altura da mãe, sem cortar o cordão. Com uma cânula tira a secreção do nariz. O bebê está quieto.
Começa a fazer uma boquinha, espuminha e resmunga bem baixinho: unhé...
Silêncio total, ouve-se a respiração ofegante de Debora, pelo esforço. Mais um resmungo.. unhé... ele começa a mexer os bracinhos...
Começam todos a chorar, Marcos e eu estamos descontrolados. Débora vê o bebê, o cordão é cortado, já não pulsa.
O bebê é colocado sobre o colo de Débora que começa a conversar com ele docemente, acalmando, fazendo carinho. Aparece uma coberta para cobri-lo. Debora também está chorando.
Por trás das máscaras dos médicos, das enfermeiras, muitos olhos brilhando.
O relógio começa a bater novamente, tic-tac, tic-tac..
Todos se abraçam, todos parabenizam Debora, todos se parabenizam.
Uma vitória fantástica do casal mais obstinado que já conheci.
Uma vitória de uma equipe que mesmo sem nunca ter trabalhado junta esteve em perfeita harmonia durante todo o tempo.
Uma vitória da humanidade, da fé, da esperança.
Uma vitória das mulheres, dos homens, dos bebês.
Uma vitória da natureza sobre a tecnocracia.
Uma vitória da luz.
À equipe do Dr. Jorge e Dra. Andrea, fica também meu agradecimento e minha admiração eterna pela forma humana, respeitosa com que trataram a mim, à parteira Marilia e principalmente ao casal Debora e Marcos.
Parabéns pela competência e pela persistência. Vocês foram simplesmente fantásticos.
À parteira Marilia Largura, fica a alegria de ter compartilhado um parto com uma mulher sábia, experiente, forte, que soube ser doce o tempo todo, firme quando foi preciso, técnica nas horas necessárias, brilhante em suas colocações e em sua conduta. Mais uma vez tive a certeza de que parteiras são mesmo mulheres especiais, com um pé na terra e outro com os anjos.
Mas à minha querida Debora e ao meu querido Marcos fica meu agradecimento profundo por essa horas de prazer, de alegria, de gozo, de vitória. Meu agradecimento por ela ter dado novas esperanças a todos nós. Renovou a fé de todos os profissionais envolvidos. Fé na mulher, fé no parto natural, fé na natureza. Que Deus esteja sempre protegendo e abençoando o caminho de vocês três. Pedro Gabriel veio ao mundo com o bumbum virado para a lua. Mas não sabe ele que a grande sorte não foi ter nascido de bumbum, mas foi ter nascido da união de um casal maravilhoso, forte, guerreiro.
Ana Cristina Duarte - a doula
31/03/2003
http://br.groups.yahoo.com/group/amigasdoparto/message/19634
http://br.groups.yahoo.com/group/amigasdoparto/message/19560

Ultrassonografistas Engraçadinhos

vida1
"Olá Meninas
Hoje fui fazer um ultra-som de rotina e o ultrasonografista falou que provavelmente terei que fazer uma cesárea, pois a minha princesinha será grande e que vai ser difícil eu ter passagem.
Pela data da última menstruação eu estou com 27 semanas, mas pela ultra estou com 28 semanas.
Ele falou que tem uma medida limite da cabeça do bebê, para ter um parto normal e que se passar desse limite a mulher não tem passagem para ter um parto normal. Vocês já ouviram falar nisso?
Estou um pouco triste e angustiada, pois sou totalmente a favor do parto normal e eu quero ter um parto normal.
O que vocês acham?
Preciso saber a opinião de vocês até eu voltar no meu médico, pois só tenho consulta no dia 30/06." - ComentaCíntia
Respostas:
Roxana (obstetra)
"Esse médico do ultra-som é um louco. O diagnóstico de Desproporção Céfalo-Pélvica (DCP) se faz no trabalho de parto.
Com 28 semanas ele nem pode supor o peso do seu bebe ao nascimento. Beijos e fique fria"
Ana Paula (neonatologista)
"Só se o ultrassonografista for também vidente, Cintia! 27 semanas é muito cedo para prever o peso final do bebê. Além disso,este diagnóstico é feito intraparto, isto é, mulher em trabalho de parto, com dilatação e o bebê não desce."
Ana Cristina Duarte (doula)
"Só pra reforçar a mensagem da Roxana, ultrassonografistas deveriam ficar com os pés amarrados na maca e um esparadrapo na boca. Então poderiam fazer o ultrassom (uma mão algemada no transdutor e a outra algemada no painel do aparelho).
Depois que a mãe saísse ele apertaria um botão com o pé livre e a enfermeira poderia soltar uma das mãos para ele escrever o relatório.
Em seguida é só algemar de novo.
Grande parte dos sonhos de parto normal acaba na mesa do ultrassonografista com comentariozinhos inteligentes como:
- uhmmm seu bebê é bem grandinho, hein??? (3.000g na última semana de gestação)
- ish... ele ainda está sentado (com apenas 25 semanas)
- nooooossa, que cabeção!!!!
- ai ai ai, não estou gostando dessa placenta... (bom, alguém pediu pra você comer, Dr.??)
Os médicos deveriam fazer pedidos de ultrassom assim:
"Ultrassom obstétrico sem comentários"
"Ultrassom morfológico sem gracinhas"
"Translucência nucal de boca fechada"
Beijos,
Ana Cris, que não agüenta falta de ética básica"

quarta-feira, 11 de junho de 2003

A chegada da Hellen

http://br.groups.yahoo.com/group/amigasdoparto/message/22491
images
Nasceu dia 06 de junho de 2003 a Hellen, filha da Rachel. A obstetra foi a Roxana. A Hellen nasceu de cesariana, após um trabalho de parto muito longo e cansativo.
Leia o relato, feito pela obstetra:
"Queridos amigos da Lista:
Somente agora consigo usar o computador, mas vou contar para vocês minha versão da chegada da Hellen. A Rachel pediu para fazer isso, que depois ela conta a versão dela.
Nós inicialmente achávamos melhor ser um parto domiciliar, lá em Blumenau. MAs o hospital em Blumenau não permitia que eu fosse a médica dela se o parto recisasse ser hospitalar. Mesmo após eu ter mandado todos os meus diplomas e registros do CRM, eles não permitiram porque os documentos não estavam autenticados!! Como na casa da sogra dela não dava para tentar o parto domiciliar, resolvemos vir para uma clínica aqui em Florianópolis.
Na segunda feira de madrugada ela começou a sentir dores e outros sintomas que nos fizeram pensar em um trabalho de parto. Ela passou no hospital em Blumenau (não queríamos que ela viesse se houvesse algum problema). O médico plantonista ofereceu gentilmente uma cesárea, já que o trabalho de parto havia começado. Assim, eles vieram para Florianópolis de madrugada. MAs as contrações pararam.
Então eles esperaram mais dois dias, para ver se as contrações voltavam, mas nada aconteceu e a família voltou para Blumenau. Na quinta de noite, a Rachel me ligou de noite. As contrações estavam regulares! A Rachel, o marido e uma prima (que foi a Doula) vieram para a maternidade. Eu os encontrei às 00 horas e a Rachel estava em franco trabalho de parto, com 3 centímetros de dilatação. As contrações eram fortes, por isso resolvemos já ficar na maternidade.
Ela estava aguentando firme e forte, com contrações intensas. Fez exercícios, tomou banho. Foi realmente exemplar!
Às 5 e meia da manhã, fiz um toque e ela estava com 4 centímetros. A cabeça da nenê estava bem encaixada, então no toque vaginal eu rompi a bolsa. O líquido estava com um pouquinho de mecônio, mas era bem flúido, então não me preocupei. O coração da nenê sempre se manteve batendo forte, sem nenhum sinal que pudesse indicar sofrimento. Como as dores eram intensas, fizemos acupuntura.
Às oito da manhã, com 5 centímetros, ela estava exausta. Não conseguia descansar entre as contrações, tinha muitas cólicas. Conversamos sobre as nossas possibilidades para aliviar a dor, e escolhemos tomar uma Dolantina.
(Achei que tanto a Rachel, quanto o marido e a Doula estiveram muito presentes em todas as decisões. Isso foi muito legal! A Rachel, mesmo
com muita dor e muito cansada, participou ativamente de todo o processo, como deve ser!).
Com isso ela conseguiu relaxar um pouco, descansou, as dores ficaram mais suportáveis.
ÀS 10 da manhã estava com 6 quase 7 centímetros. A cabeça estava encaixada, transversa e um pouco alta para a dilatação. Mas o trabalho de parto estava progredindo bem, esperamos.
Às 12:30, após muitas contrações muito intensas (A Hellen nem se alterava, continuava super-bem - o que me deixava muito tranquila) o toque estava mantido, os mesmos centímetros,a cabeça no mesmo lugar.
Liguei para o disk-parto humanizado, nosso amigo Ric, para ver se ele tinha alguma idéia. Ele tinha. Me ensinou uma manobra para ajudar o bebê e me auxiliou com uns remédios homeopáticos.
Fizemos a manobra diversas vezes. A Rachel foi uma heroina. Estava com muita dor, muito cansada, mas fazia exercícios pélvicos, andava, fazia o que podia. Quero dizer também que a Doula e o marido foram dez! Davam o maior carinho e suporte, ajudavam, insentivavam, tudo.
O bebe desceu e mudou a posição da cabeça para uma mais favorável, mas o colo não dilatou mais. Tudo bem com o foco, então esperamos.
Às 15:30 ela não aguentava mais, o colo estava mantido. Optamos por fazer uma analgesia, para ver se conseguiamos um relaxamento do colo.
Na evolução após a analgesia (qe foi uma dose baixa e ela conseguiu ficar sentada todo o tempo) o colo não se dilatou e começou a haver uma distensão do segmento. Como a Hellen estava ótima, aguardamos mais um pouco. Mas a dilatação não evoluiu. O colo se manteve nos 7 centímetros.
Às 17:30 fizemos a cesárea. A Hellen nasceu linda, a cara da mãe. Logo foi para o peito e mamou bem bonitinha!
A Rachel ficou bem chateada, eu também. Mas sei que fizemos tudo o que podíamos. Esperamos o que deu. Foram 17 horas desde a internação até o parto!!!
Acho que é o tipo de frustração que a gente tem que aprender a lidar. Eu adorei acompanhar a Rachel nessa viagem, me senti honrada deles terem me escolido e confiado em mim.
Parabéns Rachel e Hugies, pela linda filhota!
Parabéns Hellen, pois seus pais são guerreiros! Eles sabem o que querem e não desistem, apesar de todas as dificuldades! Nas horas que passamos juntos, pude perceber todo amor dessa família, toda a determinação. Você é mesmo uma sortuda!
Beijos
Roxana"

Gravidez de gêmeos: Posso ter um parto normal?

small_Elki
http://br.groups.yahoo.com/group/amigasdoparto/message/22373
Uma gravidez gemelar não é uma gravidez sem riscos, ou de risco muito baixo, como costumamos nos referir à maioria das gestações.
É um processo bem mais complexo. A dinâmica de ter dois fetos no útero imprime uma outra compreensão e preparo.
Com isso quero dizer que essa situação específica da gemelaridade deixa a situação um pouco mais delicada, fugindo à grande maioria de nascimentos que
vemos todos os dias.
A chance de ter os bebês de parto normal é variável. Se vc for observar as estatísticas de uma cidade como Porto Alegre vai notar que gêmeos nascidos de parto normal de pacientes da classe média não fazem mais do que 5%.
É isso aí: 95% de chance de cesariana.
Mas como dizia a Robbie, o principal fator determinante de um sucesso no nascimento de uma criança é a postura filosófica do cuidador da saúde, seja ele uma parteira ou um médico.
Se sua irmã encontrar um profissional que a proteja e discuta abertamente essa questão com ela, terá uma boa chance de ter sucesso.
Lembre-se que há alguns meses uma participante da lista teve um parto pélvico sendo primigesta.
O que dizem sobre isso nos círculos médicos mais tradicionais (e menos atualizados)?
Não dá, não vale a pena, etc...
Se vc olhar as estatísticas verá que as chances de parto normal não são muito maiores do que os 5% que acabei de citar em relação ao gemelar.
E porque então ela conseguiu? Porque teve sucesso onde tantas se frustram? Porque soube escolher um profissional (no caso o Jorge Kuhn) que estava capacitado a escutar os desejos e sonhos de sua paciente, e não serviu como freio para os seus propósitos.
Diga a sua irmã que se ela quiser ter um parto normal dos gêmeos terá que lutar. A primeira e mais difícil luta será para encontrar um profissional atualizado e consciente.
O resto vem naturalmente
Ricardo Herbert Jones - obstetra humanizado - REHUNA
"Se o seu médico tem um padrão intervencionista, você terá um tratamento intervencionista. Infelizmente, acho impossível um obstetra ser 'iluminado' justamente no meu parto. E para qualquer outra situação normal. Se o médico faz muito episio você vai ganhar uma e assim por diante.
E se você quiser acreditar no contrário será um puro exercício de auto engano muito comum hoje em dia."
Ruth Rossi, complementa.

Minha filha tem icterícia! O que é isso? Como resolver?

"Pessoal, o que é icterícia?
A Bia está com um leve amarelado na pele e a médica disse que é ictericia, mas que pode ser resolvida com banho de sol.
O problema é que tem um foco de dengue no meu prédio, não dá pra descer com ela pra tomar sol.
Alguem pode me esclarecer?"
Essa é a dúvida da Socorro Acioli, que teve sua filha Beatriz há 1 mês de um parto de cócoras.
Toda vez que as células vermelhas do sangue ficam velhas, nosso organismo trata de destruí-las. O produto final desta tarefa é a bilirrubina indireta a qual é encaminhada ao fígado para que este possa transformá-la em bilirrubina direta para que nós possamos eliminá-la. Em algumas situações, o fígado não consegue dar conta de metabolizar toda a bilirrubina e então, ela se acumula no nosso organismo produzindo a icterícia.
É muito importante saber qual bilirrubina está aumentada pois, a investigação e o tratamento são totalmente diferentes. Nas doenças do sangue ocorre aumento da bilirrubina indireta e nas doenças do fígado ocorre aumento da bilirrubina direta.
Um bebê, logo após o nascimento, pode apresentar um pouco de icterícia. Aliás, quase todos os bebês apresentam. É a chamada icterícia fisiológica. É fisiológica porque não é doença. Os bebês nascem imaturos e não conseguem metabolizar toda bilirrubina mas, isso se resolve sozinho em, no máximo, duas semanas. Por
isso, as mamães são orientadas a levar seus bebês para tomar sol. O sol ajuda o corpo a fabricar vitamina D e melhora a icterícia.
Leia mais em:http://www.hepcentro.com.br/bebe_icterico.htm

Deixar a natureza agir ou fazer a curetagem?

O que é a curetagem?
O obstetra Ricardo diz:
"A curetagem é uma raspagem no útero feita com um instrumento cirúrgico chamado cureta, que nada mais é do que uma colher vazada no meio.
Entretanto, mesmo que não se corte nada, é uma cirurgia, e assim deve ser encarada, porque frequentemente inclui anestesia, medicação anestésicas e analgésicas, e pressupõe uma preparação e resguardo.
A aspiração é a mesma coisa, porém usa um outro aparelho, que é o aspirador, que se assemelha a um aspiradorzinho de pó, com pressão negativa.
A maioria dos procedimentos no Brasil é pela curetagem mesmo.
Eu gosto de chamar de cirurgia para que as pessoas não se iludam pensando que nenhum tipo de preparo é necessário e que nenhuma espécie de desconforto e/ou risco está relacionado. Prefiro dar a dimensão mais exata do que se trata."
Ele prefere que deixa a natureza agir e expulsar qualquer resíduo que ainda exista no útero: "Eu vejo que quando esse processo ocorre sob o controle das pacientes (no
caso de aguardar uma expulsão espontânea) existe uma probabilidade maior de que o evento seja incorporado como experiência positiva para essa paciente e pelo seu círculo íntimo de relação".
Porém, muitas mulheres se submetem à curetagem pois a espera da expulsão espontânea pode ser, segundo elas, um processo demorado e desgastante emocionalmente, tendo em vista a perda de um filho. Em algumas situações não há o sangramento expulsivo, sendo necessária a curetagem.
Bel diz não ter tido uma experiência tão ruim assim, ela teve a sorte de encontrar bons profissionais que respeitaram suas decisões. Ela ficou lúcida, sob efeito de calmante, e utilizaram o processo AMIU, segundo ela, completamente indolor na sucção de restos placentários. Feito isso, logo conseguiu engravidar novamente.